terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Papa adverte bispos brasileiros contra “enganosa” teologia baseada no marxismo

Hilary White, correspondente em Roma
ROMA, Itália, 8 de dezembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — O Papa Bento 16 denunciou a “longa e dolorosa noite de violência e opressão” que era o governo comunista na Alemanha, e, na mesma semana, comemorou a supressão da Teologia da Libertação, de inspiração marxista, promovida por muitos padres católicos da América Latina em décadas recentes.
Num discurso para os bispos católicos do Brasil que estavam em visita a Roma, o Papa Bento recordou o aniversário de 25 anos do documento “Libertatis nuntius” preparado pela Congregação da Doutrina da Fé, que condenou as tendências da Teologia da Libertação marxista.
O Papa Bento disse em seu discurso no sábado que as “conseqüências visíveis” dos “princípios enganosos” da Teologia da Libertação na Igreja do Brasil têm sido “rebelião, divisão, discórdia, insultos e anarquia que ainda estão sendo sentidos, criando no meio de suas comunidades diocesanas grande dor e uma grave perda de força para viver”.
A Teologia da Libertação se enraizou em muitas áreas da Igreja depois do Concílio Vaticano 2 na década de 1960 e inspirou o permanente flerte da maior parte das instituições católicas americanas com o ativismo político esquerdista. Libertatis nuntius descreveu a tendência como algo levando a fazer pouco caso da importância da pecaminosidade individual para focar no que seus proponentes chamavam de “pecado sistêmico”, que eles diziam cria pobreza e injustiça.
E num concerto na Capela Sistina na sexta-feira de noite, o papa falou sobre o comunismo, dizendo: “Sob a ditadura comunista não havia ação que teria sido considerada como má e sempre imoral em si. Qualquer coisa que servisse aos objetivos do partido era boa — por mais desumana que fosse”.
O concerto foi patrocinado pelo presidente da Alemanha para marcar os 60 anos desde a fundação da República Federal da Alemanha e o aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim.
“Muitos na época experimentaram os eventos de 9 de novembro de 1989 como o alvorecer inesperado da liberdade, depois de uma longa e dolorosa noite de violência e opressão imposta por um sistema totalitário que, no fim, levou a um niilismo, um esvaziamento das almas”, disse o papa.
O Papa Bento elogiou a Lei Fundamental da Alemanha, fundada em 1949, dizendo que ela dá “prioridade à dignidade humana, ao respeito ao casamento e à família como o alicerce de toda sociedade e a um profundo respeito pelo que é sagrado para outros”.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/dec/09120805.html

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Presente das Trevas

Programa de "Direitos Humanos" de Lula traz aborto e "casamento" gay às vésperas do Natal

Julio Severo

Enquanto a população e o Congresso Nacional estão ocupados e distraídos com a estação do Natal e reuniões de família, governo Lula dá um presente para o Brasil.

Em 21 de dezembro de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, um documento de 121 páginas que faz as seguintes recomendações:

Criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos — como o crucifixo ou a Bíblia — em estabelecimentos públicos.

Inclusão no currículo escolar do ensino da "diversidade religiosa", com destaque especial para as religiões afro-brasileiras como o candomblé.

Criação de uma comissão para investigar os "crimes" cometidos durante a ditadura militar, transformando comunistas armados e mortos em "heróis" e transformando os militares em criminosos.

Modificação do Código Penal para garantir a "descriminalização do aborto".

Defesa de projeto de lei que regulariza o "casamento" de casais homossexuais.

Grupos homossexuais, abortistas, comunistas e religiosos afro-brasileiros estão comemorando o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

Com o aborto e o "casamento" homossexual sendo tratados oficialmente como "direitos humanos", a população tem o que para comemorar?

Numa sociedade ideal, a defesa da vida dos bebês em gestação seria considerada fundamental. A proteção ao casamento natural contra ameaças à sua existência seria igualmente vista como vital.

Contudo, um governo pervertido insiste em inverter tudo.

Direitos humanos agora viraram desculpa para matar bebês inocentes por meio de leis de aborto.

Direitos humanos agora viraram desculpa para permitir o casamento de dois seres cuja sexualidade não tem nenhuma função e valor para a família e para a sociedade. Pelo contrário, com o reconhecimento da disfunção homossexual como merecedora de "casamento", crianças serão entregues em adoção diretamente na boca dos leões.

Direitos humanos agora viraram desculpa para apoiar, defender e promover o crime e os criminosos.

No Reino Animal, os animais protegem seus filhotes dos predadores. No mundo humano, as crianças estão sendo entregues ao aborto e as que sobreviverem serão entregues aos predadores homossexuais, com as desculpas mais elegantes do governo de Herodes, que tem sede de sangue.

Na calada da noite, o criminoso de máscara tira vantagem da desatenção da vítima, pegando-a de surpresa e dando-lhe pouca oportunidade de reação. Na euforia dos feriados, bem às vésperas da comemoração do nascimento do Salvador Jesus Cristo, o governo Lula entrega para a desprevenida população brasileira seu presente de aborto e "casamento" homossexual.

Verdadeiramente, um presente de Herodes.

Verdadeiramente, um Presente das Trevas.

Fonte: www.juliosevero.com

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A demolição das consciências

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 21 de dezembro de 2009

Quem tenha compreendido bem meu artigo "Armas da Liberdade", deve ter percebido também a conclusão implícita a que ele conduz incontornavelmente: boa parte do esforço moralizante despendido pela "direita religiosa" para sanear uma sociedade corrupta é inútil, já que termina sendo facilmente absorvida pela máquina da "dissonância cognitiva" e usada como instrumento de perdição geral.

Notem bem: moralidade não é uma lista de condutas louváveis e condenáveis, pronta para que o cidadão a obedeça com o automatismo de um rato de Pavlov.

Moralidade é consciência, é discernimento pessoal, é busca de uma meta de perfeição que só aos poucos vai se esclarecendo e encontrando seus meios de realização entre as contradições e ambigüidades da vida.

Sto. Tomás de Aquino já ensinava que o problema maior da existência moral não é conhecer a regra geral abstrata, mas fazer a ponte entre a unidade da regra e a variedade inesgotável das situações concretas, onde freqüentemente somos espremidos entre deveres contraditórios ou nos vemos perdidos na distância entre intenções, meios e resultados.

Lutero -- para não dizerem que puxo a brasa para a sardinha católica -- insistia em que "esta vida não é a devoção, mas a luta pela conquista da devoção".

E o santo Padre Pio de Pietrelcina: "É melhor afastar-se do mundo pouco a pouco, em vez de tudo de uma vez".

A grande literatura -- a começar pela Bíblia -- está repleta de exemplos de conflitos morais angustiantes, mostrando que o caminho do bem só é uma linha reta desde o ponto de vista divino, que tudo abrange num olhar simultâneo. Para nós, que vivemos no tempo e na História, tudo é hesitação, lusco-fusco, tentativa e erro. Só aos poucos, orientada pela graça divina, a luz da experiência vai dissipando a névoa das aparências.

Consciência -- especialmente consciência moral -- não é um objeto, uma coisa que você possua. É um esforço permanente de integração, a busca da unidade para além e por cima do caos imediato. É unificação do diverso, é resolução de contradições.

Os códigos de conduta consagrados pela sociedade, transmitidos pela educação e pela cultura, não são jamais a solução do problema moral: são quadros de referência, muito amplos e genéricos, que dão apoio à consciência no seu esforço de unificação da conduta individual. Estão para a consciência de cada um como o desenho do edifício está para o trabalho do construtor: dizem por alto qual deve ser a forma final da obra, não como a construção deve ser empreendida em cada uma das suas etapas.

Quando os códigos são vários e contraditórios, é a própria forma final que se torna incongruente e irreconhecível, desgastando as almas em esforços vãos que as levarão a enroscar-se em problemas cada vez mais insolúveis e, em grande número de casos, a desistir de todo esforço moral sério. Muito do relativismo e da amoralidade reinantes não são propriamente crenças ou ideologias: são doenças da alma, adquiridas por esgotamento da inteligência moral.

Em tais circunstâncias, lutar por este ou aquele princípio moral em particular, sem ter em conta que, na mistura reinante, todos os princípios são bons como combustíveis para manter em funcionamento a engenharia da dissonância cognitiva, pode ser de uma ingenuidade catastrófica. O que é preciso denunciar não é este ou aquele pecado em particular, esta ou aquela forma de imoralidade específica: é o quadro inteiro de uma cultura montada para destruir, na base, a possibilidade mesma da consciência moral. O caso de Tiger Woods, que citei no artigo, é um entre milhares. Escândalos de adultério espoucam a toda hora na mesma mídia que advoga o abortismo, o sexo livre e o gayzismo. A contradição é tão óbvia e constante que nenhum aglomerado de curiosas coincidências poderia jamais explicá-la. Ela é uma opção política, a demolição planejada do discernimento moral. Muitas pessoas que se escandalizam com imoralidades específicas não percebem nem mesmo de longe a indústria do escândalo geral e permanente, em que as denúncias de imoralidade se integram utilmente como engrenagens na linha de produção. Ou a luta contra o mal começa pela luta contra a confusão, ou só acaba contribuindo para a confusão entre o bem e o mal.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O império mundial da burla

Olavo de Carvalho

Até umas décadas atrás, o jornalismo refletia a convivência, ora pacífica, ora conflitiva, das três forças que determinavam a sua orientação: o orgulho profissional dos jornalistas, que concorriam entre si na tarefa de informar mais e melhor; os objetivos econômicos dos empresários de mídia; e os diferentes interesses políticos que, através desses dois grupos, disputavam a hegemonia sobre as redações. A variedade das combinações possíveis, num ambiente de concorrência capitalista e liberdade democrática (mesmo em situações políticas não totalmente democráticas), demarcava os perfis dos diferentes órgãos de mídia, desde os grandes jornais e redes de TV até os tablóides de propaganda ideológica e os programas radiofônicos das mais modestas estações do interior.

Nos anos recentes, tudo mudou.

1) Por toda parte, a propriedade dos órgãos de mídia concentrou-se nas mãos de empresas multinacionais bilionárias, associadas ao projeto de governo mundial e dispostas a sofrer por ele até mesmo vultosos prejuízos financeiros, que por outro lado não as prejudicam de maneira alguma, de vez que são amplamente compensados por lucros obtidos em outros negócios. A tremenda queda de prestígio e a quase falência de jornais como o New York Times ou o Los Angeles Times não os induziu a mudar no mais mínimo que fosse as respectivas orientações políticas que puseram seus leitores em fuga: ao interesse financeiro imediato de uma empresa em particular sobrepõem-se os interesses estratégicos maiores dos grupos empresariais que a controlam de longe.

2) Desde que as maiores universidades, em quase todos os países do Ocidente, caíram sob o domínio de intelectuais ativistas imbuídos da mentalidade "pós-moderna" e "desconstrucionista", isso teve um efeito letal sobre a formação profissional dos jornalistas: a simples noção de objetividade jornalística não pode sobreviver num ambiente cultural onde a crença em verdades objetivas é tratada como um resíduo supersticioso de épocas bárbaras e um odioso instrumento de opressão capitalista. Se a obrigação dos intelectuais já não é mais buscar a verdade, mas apenas dar apoio a causas feministas, gayzistas, abortistas, globalistas e socialistas, mesmo aquele que não tenha grande entusiasmo pessoal por essas causas fica desprovido de um critério de veracidade pelo qual possa julgá-las, e acaba colaborando com elas, no mínimo, por omissão.

3) A convergência desses dois fatores gerou, como era de se esperar, a uniformização ideológica da mídia em escala mundial, transformando jornais, estações de rádio e redes de TV num maciço e coerente aparato de propaganda que cada vez menos admite divergências e cada vez mais se empenha em selecionar as notícias segundo sua conveniência política, desprezando cinicamente os critérios tradicionais de objetividade. O noticiário fraudulento, que num ambiente de concorrência capitalista normal acabava sempre sendo dissolvido pela variedade das abordagens jornalísticas mutuamente contraditórias, tornou-se a norma imperante, só contestada em publicações menores e em alguns sites de jornalismo eletrônico, facilmente neutralizados como "loucos", "teóricos da conspiração", "fofoqueiros da internet" etc.

Em resultado, os acontecimentos mais decisivos são freqüentemente mantidos fora do horizonte de visão do público, enquanto lendas, mentiras e imbecilidades úteis à causa comum do globalismo e da militância jornalística são alardeadas nos quatro quadrantes da Terra como verdades definitivas, sem que se ouça uma única voz de protesto contra a fraude geral. Trabalhando em uníssono com o show business, com as fundações culturais bilionárias e com os organismos administrativos internacionais, o jornalismo tornou-se pura propaganda, amparada num eficiente sistema de exclusão e boicote que só os mais valentes, cada vez mais raros, ousam enfrentar.

As grandes empresas jornalísticas já não têm nem mesmo a preocupação de camuflar a uniformidade mundial das campanhas que promovem: outro dia, 44 dos 56 maiores jornais do mundo publicaram o mesmo editorial, repetido em toda parte ipsis litteris, em favor da centralização do poder em escala mundial, para salvar o planeta de riscos aliás perfeitamente inexistentes.

Quase ao mesmo tempo, a Rede Globo, dominadora absoluta da audiência e portanto da formação da mentalidade pública neste país, exibiu novamente, como dado científico comprovado, o famoso gráfico de Al Gore, em que duas curvas, uma assinalando os aumentos das emissões de CO2, outra as elevações da temperatura terrestre, se superpõem harmoniosamente, "provando" a origem humana do aquecimento global.

Nos meios científicos, não há um só profissional idôneo que engula essa fraude grotesca. Todo mundo sabe que as curvas são similares, sim, mas que as elevações de temperatura antecedem e não se sucedem ao aumento das emissões de CO2 , isto é, que Al Gore inverteu propositadamente causa e efeito para fomentar a campanha do imposto mundial.

Já o escândalo do "Climagate", em que prestigiosos cientistas foram surpreendidos tramando falsificação de dados, vem sendo abafado por todos os meios possíveis: se você depender do New York Times ou da CNN para informar-se a respeito, não ficará jamais sabendo de nada, ou pelo menos terá a impressão de que a vigarice de alguns pesquisadores isolados não afeta em nada a confiabilidade das teses dominantes quanto ao aquecimento global. Impressão falsa. Philip Jones, Keith Briffa e Michael Mann, os pesquisadores de East Anglia pegos de calças na mão, são os principais autores dos dois relatórios da ONU que servem de base à campanha do imposto global, isto é, da extorsão global de três bilhões de dólares para salvar o mundo de uma ameaça forjada (v. http://www.telegraph.co.uk/comment/columnists/ christopherbooker/6738111/Climategate-reveals-the-most-influential-tree-in-the-world.html).

Do mesmo modo, os órgãos da "grande mídia" não publicam uma só linha quanto aos processos que a jornalista austríaca Jane Burgermeister está movendo contra a Organização Mundial da Saúde, o governo Obama e algumas poderosas indústrias farmacêuticas. As vacinas contra gripe suína, já obrigatórias em alguns Estados americanos, e que a presidência Obama pretende impor a todo o país, estão contaminadas com o vírus da gripe aviária, muito mais perigosa: é o que afirma Burgermeister, sustentando suas palavras com ações que não são de ordem a tornar a sua existência nem um pouco mais confortável (v. www.theflucase.com). Para impor a obrigatoriedade da vacinação, o governo americano e a OMS promoveram uma campanha alarmista, com forte apoio de jornais, TVs, universidades, instituições científicas e artistas de Hollywood, exagerando brutalmente os riscos da gripe suína. Agora, que as vacinas estão matando muito mais gente do que a própria gripe, a mídia e as autoridades se calam ominosamente, mostrando que não estão interessadas na saúde do público mas em proteger os autores de uma fraude genocida. E notem: os envolvidos nessa fraude são os mesmos apóstolos do imposto global, assim como os meios usados para ludibriar o público são os mesmos em ambos os casos: a propaganda maciça em escala mundial, travestida de "jornalismo", e a supressão sistemática dos fatos indesejáveis.

Cada vez mais, entramos num novo mundo onde não se poderá confiar em nenhuma instituição, em nenhuma autoridade, em nenhum prestígio, e onde cada um terá de buscar a verdade por seus próprios meios, se os tiver. Como a maioria não os tem, será cada vez mais difícil encontrar alguma diferença entre esse novo mundo e o império global da burla anunciado pelos profetas e pelo Falstaff de Verdi.

Fonte: Diário do Comércio, 14 de dezembro de 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

Oferta de serviços básicos a todos os brasileiros pode demorar 200 anos

http://www.aguaonline.com.br/materias.php?id=2985&cid=11&edicao=459



Oferta de serviços básicos a todos os brasileiros pode demorar 200 anos


O setor de saneamento no Brasil não tem falta de recursos. Os maiores problemas são a gestão deficiente, a desvalorização da engenharia, a falta de projetos e a capacidade de endividamento dos municípios, que está esgotada. Essa é a opinião unânime dos convidados da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) que compareceram à audiência pública realizada no Senado sobre infraestrutura e políticas públicas.

Para esta audiência, foram convidados o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Danilo Forte; o presidente do Instituto Trata Brasil, Raul Pinho; o presidente da Companhia Nacional de Saneamento (Conasa), Mario Vieira Marcondes Neto; e o professor da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande (PB) Francisco de Assis Salviano de Souza.

Francisco Forte disse que o país vive o momento mais rico de sua história para investir em saneamento básico, mas enfrenta a dificuldade de planejamento no médio e longo prazos. Ele assinalou que a legislação referente à fiscalização e licitação deveria ser mais flexível, pois as exigências legais são as mesmas para as grandes obras e as pequenas.
- O maior problema não é a falta de recursos. O problema é estrutural. Os estados e municípios não estavam preparados para o volume de recursos disponíveis - afirmou.

Raul Pinho lembrou que sete crianças morrem por dia no Brasil devido à diarréia. Ele apresentou uma pesquisa contratada ao Ibope pelo Movimento Trata Brasil, que revelou a ignorância da sociedade em relação ao saneamento básico. Segundo a pesquisa, 31% dos brasileiros não sabem o que é saneamento básico; 64% nunca ouviram falar sobre o tema na escola; 77% nunca viram uma campanha de esclarecimento; e 41% não estão dispostos a pagar pelo serviço. Para ele, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) emperrou por falta da percepção de que é preciso preparo antecipado.

- Não é uma questão de dinheiro, apenas. O problema é que não se investe em gestão. O governo não divulga a quantidade de desembolso quando faz anúncios do PAC, que até agora só gastou 14,8% dos recursos disponíveis. Não é só colocar o dinheiro em cima da mesa - alertou.

Marco Vieira disse que o Brasil estacionou no século XIX em relação ao saneamento básico e que a carência de água tratada já é verificada em várias regiões do Brasil. Como exemplo, ele citou o caso de Santa Catarina, que tem um dos piores índices de saneamento do país, semelhante ao do Piauí. Entre os principais entraves, Vieira listou a incapacidade dos municípios se endividarem, a frequente ingerência política nas companhias estaduais de saneamento e a politização do debate sobre a privatização desse serviço.

- Há um problema cultural, que é a confusão entre privatização e concessão. Privatização não é crime - afirmou.

Francisco Salviano disse que seria preciso investir anualmente 0,63% do PIB para que o saneamento básico fosse universalizado no Brasil até 2030. Caso sejam investidos os 0,2% atuais, essa universalização só será alcançada em 200 anos. Ele lamentou a constatação de que o saneamento não é uma prioridade para o poder público nem para a sociedade. Na opinião do professor, a solução passa pelo desenvolvimento do interior do país; melhoramento da distribuição de renda; adoção de sistemas mais simples, baratos e eficientes; educação ambiental no ensino básico; e avaliação sistemática da eficiência da prestação do serviço.

A audiência pública foi comandada pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), que salientou a pulverização por cinco ministérios das atribuições e recursos destinados à política de saneamento básico. Ele disse que essa diluição se reflete em dificuldades como os atrasos verificados no PAC.

Fonte: Agência Senado.

Senado aprova projeto do Vale Cultura



(Senado aprova projeto do Vale Cultura)
Postado por Karina on Thursday December, 17th em Livros & Literatura, Notícias

Apesar da iniciativa do projeto ser até louvável – à primeira vista – penso que o grande problema com relação à pouca leitura do povo brasileiro não seja apenas uma questão financeira. Não é somente a falta de dinheiro que impede as pessoas de lerem… afinal, existem bibliotecas públicas, recheadas de livros para leitura grátis. Sebos, com livros a preços mais acessíveis. Na internet, vários sites com ebooks gratuitos. E nem por isso as pessoas estão largando a televisão. Lembram daquela “mobilização” da MTV Brasil, em interromper a programação e colocar uma tela preta dizendo aos telespectadores para saírem da frente da tv e ler um livro? Alguém aí pensa que isso surte algum efeito??? É só trocar de canal… A intenção podia ser boa, mas a partir do momento que você precisa “convencer”, “mandar”, enfim, tentar forçar a leitura de um livro “goela abaixo” de alguém, é por que o problema vai um pouco além da simples falta do hábito de ler. Não é só mandar ler um livro. Ler o que? Por que ler? E a grande questão: como ler? O problema da interpretação do que se lê, do saber separar o joio do trigo, na minha opinião, é o mais importante. E logo esse é o mais precariamente trabalhado, principalmente na rede pública de ensino. De que adianta ler se você não compreende o que está lendo? Qual a finalidade de ficar passando os olhos por cima de um aglomerado de palavras que não lhe dizem nada?

Certamente o “Vale Cultura” terá mais uso na compra de ingressos de shows e cinema. E também, é claro, na compra de revistas e gibis. Mas… uma revista de fofoca pode ser considerada “cultura”? Uma revista erótica pode? Faz diferença, intelectual e culturalmente falando, ler “romances de banca” (como os famosos “Sabrina”, “Bianca” etc)? E ler só gibis? É claro que todos os exemplos anteriores podem ser considerados “entretenimento”, diversão, e todo mundo precisa um pouco disso. Mas são “cultura“? Uma pessoa se torna um ser humano melhor com esse tipo de leitura? Esse tipo de material estimula a criatividade ou o senso crítico, por exemplo? As pessoas que mais precisam de leitura são exatamente aquelas que menos irão usufruir do benefício do vale dessa forma. É sempre assim. É como aquelas propagandas do “voto consciente”. Elas só atingem o público que não precisa delas. Não adianta dizer que não se deve trocar o voto por dinheiro, cesta básica, tijolo etc. Só quem não precisa ouvir isso que se importa. É querer ficar remediando ao invés de prevenir. A velha história do tapar o sol com a peneira. Todo esse problema tem sua raíz na educação básica (que aliena mais do que educa). Porém, preciso frisar, não é somente uma questão de acesso a educação, mas do acesso a que TIPO de educação…

O debate vai longe…

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O projeto que cria o Vale Cultura foi aprovado pelo Senado. De autoria do ministério da Cultura o Vale-Cultura é um benefício no valor de R$ 50 semelhante ao Vale Refeição, mas para ser gasto com livros, ingressos de shows, cinema e teatro, por exemplo.
Terão direito ao benefício trabalhadores com carteira assinada que ganham até cinco salários mínimos.
No Senado, foram incluídas no projeto entre as possibilidade de utilização do vale, a compra de revistas culturais e jornais diários, mesmo após críticas de alguns parlamentares de que esta emenda possibilitaria o trabalhador comprar a revista Playboy e gibis com o dinheiro do benefício.
Como sofreu alterações, o texto voltará para análise da Câmara dos Deputados. Estima-se que a iniciativa injetará R$ 7,2 bilhões por ano no mercado cultural do País. De acordo com o relator do projeto na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o projeto “fortalecerá as cadeias produtivas da economia da cultura; as manifestações de diversidade cultural brasileira; a profissionalização; o fortalecimento técnico dos trabalhadores e empresas do setor; a geração de renda, trabalho e emprego num dos setores mais dinâmicos e criativos da economia”.

O projeto que cria o Vale Cultura foi aprovado pelo Senado. De autoria do ministério da Cultura o Vale-Cultura é um benefício no valor de R$ 50 semelhante ao Vale Refeição, mas para ser gasto com livros, ingressos de shows, cinema e teatro, por exemplo.

Vale Cultura

Terão direito ao benefício trabalhadores com carteira assinada que ganham até cinco salários mínimos.

No Senado, foram incluídas no projeto entre as possibilidade de utilização do vale, a compra de revistas culturais e jornais diários, mesmo após críticas de alguns parlamentares de que esta emenda possibilitaria o trabalhador comprar a revista Playboy e gibis com o dinheiro do benefício.

Como sofreu alterações, o texto voltará para análise da Câmara dos Deputados. Estima-se que a iniciativa injetará R$ 7,2 bilhões por ano no mercado cultural do País. De acordo com o relator do projeto na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o projeto “fortalecerá as cadeias produtivas da economia da cultura; as manifestações de diversidade cultural brasileira; a profissionalização; o fortalecimento técnico dos trabalhadores e empresas do setor; a geração de renda, trabalho e emprego num dos setores mais dinâmicos e criativos da economia”.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O dia em que o sexo entre homens e meninos não mais chocar

Filme brasileiro pretende quebrar “tabu” do incesto e sexo homossexual entre meninos, apresentando ambas as condutas como “amor”
Julio Severo
Dois homens se abraçando e se beijando. Que tipo de cenário é esse? É um cenário que, para o público, é condenável, mas para a mídia, com seu número desproporcionalmente elevado de gays, é lindo.
Apesar de toda a doutrinação sistemática do governo e da mídia, esse cenário ainda choca o público. A propaganda estatal onipresente do programa federal Brasil Sem Homofobia ainda não alcançou o nível de mudança da mentalidade total do povo. O choque ainda persiste.
Para evitar o choque, os ativistas gays são obrigados a enfeitar ao máximo esse cenário, utilizando tudo o que traga a memória inocência e pureza: crianças, anjos, Jesus, etc. Nada é isento de exploração quando o assunto é avançar a agenda gay.
Essa foi exatamente a estratégia dos produtores do filme brasileiro “Do Começo Ao Fim”, que começa usando o cenário de dois meninos para alcançar seu objetivo maior de quebrar toda barreira e resistência ao incesto e ao sexo homossexual. Os produtores avisam: “Se a intenção for quebrar um grande tabu ou causar impacto, certamente este filme vai alcançar seu objetivo”. O trailer do filme está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=3DVa2DKSnU0
“Do Começo Ao Fim” procura passar a mensagem de que são os próprios meninos de 6, 7 ou 8 anos que buscam experiências homossexuais. Grupos homossexuais como a NAMBLA há muitos anos pregam que os meninos têm interesse no sexo homossexual. “Do Começo Ao Fim” vem para confirmar essa pretensão.
Mais cedo ou mais tarde virá um cineasta, abusando igualmente do direito de livre expressão, para promover um filme do “amor entre um homem e um menino”. Na verdade, o campo já está aberto para quebrar esse “tabu”. O maior líder homossexual do Brasil, Luiz Mott, tem sido acusado de defender a pedofilia. Mas ele não é o único homossexual brasileiro a fazer isso. Anos atrás, Denilson Lopes, um professor universitário homossexual, escreveu e publicou o artigo ”Amando Garotos: Pedofilia e a Intolerância Contemporânea”. Ele é autor do livro “O Homem que Amava Rapazes e Outros Ensaios” (RJ, Aeroplano, 2002).
Eu denunciei publicamente essa defesa à pedofilia, mas o Ministério Público Federal — que a um estalar de dedos dos ativistas gays vem sempre correndo contra meu blog — nunca tomou nenhum tipo de medida contra o artigo ”Amando Garotos: Pedofilia e a Intolerância Contemporânea”, demonstrando que um “tabu” já está sendo quebrado. A pedofilia homossexual está vindo, provando sua inseparabilidade das entranhas do movimento homossexual.
O Brasil, na fase em que está de elevada doutrinação homossexual, não ficará por muito tempo só no “Do Começo Ao Fim” de sexo homossexual entre menino e menino. Esse filme é apenas uma preparação para a fase mais avançada, onde outro cineasta oportunista lançará outro “quebrador de tabus”. Esse será o “O Começo do Fim”. Nesse futuro mais sombrio, a apresentação do sexo homossexual entre menino e menino será coisa do passado. A moda então será apresentar a normalidade do sexo homossexual entre homens e meninos.
Contudo, você acha que os ativistas homossexuais são bobos de mostrar o Fim logo no Começo? Eventualmente, eles falarão abertamente, porém só no Fim. Mas, até lá, com todos os tabus quebrados, ninguém mais se importará se a moda então for pensar que são os próprios meninos de 6, 7 ou 8 anos que buscam “amor sexual” de homossexuais adultos.
“Do Começo Ao Fim” é uma das primeiras sementes para a construção dessa nova maneira de pensar.
Versão em inglês deste artigo: The day sex between men and boys is no longer offensive
Fonte: www.juliosevero.com

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Para entender o PT

Posted: 13 Dec 2009 05:48 AM PST


Posted: 13 Dec 2009 05:48 AM PST
Para entender o PT

Humberto L. Vieira

Presidente da PROVIDAFAMILIA

Em sua última decisão o Partido dos Trabalhadores, PT puniu, com suspensão, os deputados Luiz Bassuma, PT/BA e Henrique Afonso PT/AC por serem contrários à legalização do aborto. Várias matérias circulam na Internet tentando explicar essa atitude dos dirigentes do PT.

De um lado justificam a decisão tomada em face daqueles deputados contrariarem decisão do partido que, em seu programa, inclui a legalização do aborto, embora esse fato tenha sido omitido a seus eleitores que, em sua grande maioria, são contrários à legalização do aborto.

De outro lado, os defensores da vida argumentam que o PT descumpriu a Constituição e a Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) que asseguram o direito à vida de todo ser humano. Nem mesmo a objeção de consciência, universalmente aceita, foi respeitada pelos dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

Gostaria de trazer à consideração um outro argumento para bem entender a posição assumida pelo PT. Quando se diz que defensores da vida não devem se filiar ao PT e nem votar em seus candidatos, alega-se que não deve ser bem assim, uma vez que parlamentares de outros partidos também votam pela legalização do aborto. Essa posição de se opor ao PT é uma posição radical. Todavia quem se filia ao PT ou vota em seus candidatos são coniventes com a legalização do aborto. É bem verdade que alguns cristãos (católicos e evangélicos) bem intencionados permanecem nas fileiras do PT e até podem votar contra os projetos de legalização do aborto e se pronunciar a favor da defesa da vida. Isso é permitido pelo partido desde que seu voto não decida pela rejeição desses projetos e que sua atuação como parlamentar não interfira nos projetos do partido. "O PT abriga várias correntes e é um partido democrático", alegam. Essa era uma maneira de justificar a "democracia" existente no PT. Agora com a penalização dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso não há mais dúvida sobre a tirania desse partido. Não sejamos ingênuos acreditando na falácia do PT.

Para bem entender esse assunto é preciso conhecer o GPEPD e o GPI. Essa siglas abrigam os parlamentares do "Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento" e do "Grupo Parlamentar Interamericano" que têm como propósito modificar a legislação do país a fim de tornar legal a prática do aborto em qualquer estágio da gestação.

O GPI é o Grupo Parlamentar Interamericano, constituído na conferência hemisférica de legisladores que se realizou em Brasília, em dezembro de 1982. O GPI tem personalidade jurídica no Estado de Nova York. Como tal goza de privilégios de isenção de impostos. Entre suas finalidades está: (1)

"Revisar as legislações nacionais a fim de considerar a possibilidade de despenalizar o aborto, tendo em vista o grande número que se realiza a margem da lei e a alta taxa de mortalidade que resulta".

Outras recomendações do GPI:

"Estabelecer vínculos de colaboração e comissões interdisciplinares para as reformas legislativas com a participação de grupos privados e grupos de mulheres, especializados na temática da legislação e direitos reprodutivos da mulher".

"Estabelecer comitês parlamentares com representantes de várias comissões do congresso (da mulher, educação, comunicações, orçamento, população e saúde) para supervisionar e coordenar os avanços nos programas de planejamento familiar e saúde reprodutiva". (2)

Para implementação dessas medidas no Brasil, foi constituído o GPEPD — Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento. Segundo o "Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World", publicação do FNUAP, esse grupo foi responsável por introduzir, na Constituição Brasileira, o dispositivo que trata do planejamento familiar (Art. 226 § 7º).

Os recursos para o GPEPD são oriundos da IPPF, do Pathfinder Fund, do Family Planning International Assistance (FPIA): (3)

Desde a constituinte esses grupos já financiavam as atividades de controle populacional no Brasil:

"Planejamento Familiar e a Assembléia Constituinte Brasileira. Monitorar e onde necessário dar assistência no desenvolvimento do tema planejamento familiar no texto da Constituição Brasileira. Membros do Grupo Brasileiro de Parlamentares sobre População e Desenvolvimento receberão instruções técnicas sobre o assunto que contribuirão para debates sobre planejamento familiar. Recursos Fathfinder Fund/Brasil US$112.755".

Manter assessoramento e assistência ao Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento — Recursos: 2.552.200 (1989); 1.752.200 (1990); 1.752.200 (1991)"; Programa Informativo e Educacional para políticos do Hemisfério Ocidental (1994). Órgão executor: Grupo \parlamentar Interamericano sobre População e Desenvolvimento. Orçamento FNUAP até 1994: US$44.500. Promover o papel Parlamentar na América Latina e no Caribe em Questões ICPD (1994). Órgão executor: Grupo Parlamentar Interamericano Sobre População — FNUAP: US$119.000.

Além desses recursos a FPIA (Family Planning International Assistance) publica em sua home page, na Internet:

"Nos anos recentes, especialmente desde que a USAID retirou seu apoio, FPIA ampliou seu campo de ação procurando trabalhar com grupos e pessoas em projetos relacionados ao aborto. Doações foram feitas para agencias no Zaire, Congo, Quênia, Irlanda, Austrália, Bangladesh, México, Brasil, Peru, Equador, Bolívia e Nicarágua para estabelecer serviços de aborto seguro, fornecendo referência e aconselhamento sobre aborto, defendendo direitos reprodutivos, e legalmente contestando leis restritivas ao aborto." (Grifo nosso)

Mas esse grupo parlamentar tem um forte assessoramento, vejamos:

Recursos Para o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA). O CFÊMEA é uma organização feminista que faz 'lobby' no interesse de organizações promotoras do controle de população, do aborto, da eutanásia, do homossexualismo, no Congresso Nacional (4).

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA) monitoração e educação política dos direitos das mulheres. Financiamento da Fundação Ford para o CFÊMEA durante o período 1994-1998: US$323.000

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA), para apoio a um programa dirigido a líderes políticos e ao público em geral. Financiamento da Fundação MacArthur para o CFÊMEA durante o período 1994-1996: US$300.000

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA). Treinamento e coordenação entre ONGs de mulheres da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e América Central. Financiamento da Fundação Ford para o CFÊMEA durante o período 1996-1998: US$62.000

Projeto: Direitos da Mulher na Lei e na Vida. Financiamento da Fundação MacArthur para o CFÊMEA durante o período 2000-2003: US$210,000

Claro que além desses recursos financeiros outros se seguiram e por falta de fonte deixamos de citá-los.

Pelo exposto se entende que parlamentares de outros partidos, além do PT apresentem projetos e até votem pela legalização do aborto, pois devem integrar o GPEDP.

Mas quem são esses parlamentares que fazem parte do GPEPD e do GPI? Seus nomes não aparecem em documentos oficiais. Isso poderia criar embaraços junto a seus eleitores. Entretanto, não é difícil identificá-los. É suficiente verificar os que estão apresentando projetos de aborto e os que sistematicamente votam pela aprovação desses projetos.

Diante dos fatos acima citados, será mera coincidência que as feministas exigiram a punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso e que o PT aceitou essa exigência?

A "gota d'água" para a punição desses deputados foi a aprovação da CPI do aborto por iniciativa do dep. Luiz Bassuma. Embora aprovada, essa CPI não chegou a ser instalada por pressão dos defensores do aborto. Essa CPI iria mostrar a origem e o montante dos recursos internacionais para legalizar o aborto no pais. Por isso os grupos feministas entraram em desespero e conseguiram com as lideranças não indicarem os membros para que essa CPI fosse instalada.

A população precisa saber desses fatos para que os eleitores dêem um voto consciente. As eleições se aproximam e é hora de divulgar essas informações.

Notas:

1. Noticiero Interamericano de Poblacion, publicação do Grupo Parlamentar Interamericano sobre População e Desenvolvimento, N. 12, Fev/1992.

2. Boletin do Grupo Parlamentario Interamericano Sobre Población y Desarrollo Vol. 10 nº 3/4 Agosto/Setembro, 1993.

3. Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World, publicação do FNUAP 1989/91 e 1994.

4. Inventory of Popularion Programs in Developing Countries Around the Word, 1996, publicação do Fundo de População da ONU (FNUAP)

b) Fundação MacArthur: http://www.macfound.org.br

Fonte: Providafamília

Divulgação: www.juliosevero.com

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul

Por Carlos Madeiro
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.


Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.



UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?

Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?

Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.

UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?

Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.

Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?

Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?

Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?

Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?

Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?

Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?

Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?

Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?

Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?

Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?

Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?

Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?

Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?

Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?

Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Midnight Oil - beds are burning - unplugged

Geração maldita

http://www.olavodecarvalho.org/semana/091208dc.html


Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 8 de dezembro de 2009

Todo dia recebo dezenas de cartas de leitores, das quais respondo algumas pelo meu programa "True Outspeak" (www.blogtalkradio.com/olavo, segundas-feiras, às 20h00 do Brasil). As outras ficam sem resposta, não por serem desimportantes, mas por simples impossibilidade física de escrever as centenas de páginas diárias que seria preciso para dar a cada uma a atenção merecida. No entanto, algumas são irrespondíveis num outro sentido: o que dizem é tão verdadeiro, tão sério, tão pungente, que nada tenho a lhes retrucar nem acrescentar.
Eis aqui dois exemplos. O primeiro, do leitor Ithamar Paraguassu Ramos, até saiu no Diário do Comércio do dia 17 (http://www.dcomercio.com.br/Materia.aspx?id=32129):
"A única coisa que posso dizer é que eu amo as materias do Olavo. Já faz um bom tempo que tenho reclamado do que eu chamo de 'esquizofrenia' dos formadores de opinião brasileiros. Na mesma sentença eles dizem uma coisa e se contradizem completamente... Mas o ponto é que infelizmente Olavo não esta atingindo uma parcela muito importante da nossa população, isso por causa do declínio da educação... Para o meu horror, os jovens universitários de hoje não sabem o sgnificado de palavras como: 'sofisma', 'erítistica', 'ardil', 'arrazoado', 'verossimilhança' e por aí vai."
O segundo, do leitor Leandro Coelho, sai aqui pela primeira vez:
"Não tenho (e não sei) os meios de verificar se todas as pessoas brasileiras são assim, mas todas as pessoas com as quais converso, todas praticamente sem exceção, só pensam em levar vantagem seja com processos trabalhistas, seja se inscrevendo em programas sociais sem necessidade ou de qualquer outra maneira. Trabalhar para prosperar, talvez, mas ganhar um dinheirinho na base da enganação, processos etc., ah, aí todos querem. Vendo isso, não vejo por que achar triste que estas pessoas sejam governadas pelo Foro de São Paulo. As pessoas que se enquadram no esquema acima merecem toda a miséria nacional. Se o jeitinho acima descrito é aplicável a grande parte da população brasileira, então o Lula, o PT... estão no lugar certo."
Que é que posso dizer diante dessas coisas? Elas são a verdade pura e simples, constatada diariamente por quem quer que tenha um pingo de capacidade de observação. E essa verdade é tão horrível, tão deprimente, que o cérebro humano, ao admiti-la, entra em estado de torpor e busca logo pensar em outra coisa. Quanto mais grave e temível é um estado de coisas, menos atenção ele recebe e mais facilmente é aceito como fatalidade inevitável, na qual não vale a pena pensar. Nem entendo por que há tantos cursos de auto-ajuda ensinando as pessoas a evitar assuntos desagradáveis. Elas já fazem isso por mero automatismo, e precisamente porque o fazem as coisas vão se tornando cada vez mais desagradáveis.
O colapso intelectual do Brasil, ao qual se seguiu a completa deterioração moral da população, ao menos nos grandes centros urbanos, não aconteceu simplesmente porque sim. Foi a obra criminosa da geração mais presumida e torpe que as universidades brasileiras já produziram. Para cada dez mil sexagenários letrados que hoje ocupam posições de destaque na política, nas universidades, no show business, no mundo editorial, mal se encontra um que tenha consciência das suas responsabilidades, que não sufoque sua consciência de culpa sob toneladas de chavões politicamente corretos, de modo a sentir que é bom quando pratica o mal.
Quando se encontra essa exceção memorável, um homem de bem, podem ter a certeza de que ele vem enfraquecido pela contaminação do ambiente geral adverso, ao qual não ousa opor a necessária severidade. Estou lendo, com uma satisfação mista de tristeza, o livro de Boris Tabacof, Espírito de Empresário. Reflexões para Construir uma Gestão Baseada em Valores (São Paulo, Editora Gente, 2009). Quanta boa vontade, quanta sugestão construtiva, quantas idéias úteis, quanto sentimento moral saudável, quanto sincero amor pelo Brasil e quanto desejo de ver sua gente prosperar não perpassam essas páginas que todo empresário deveria ler! E tudo isso dito por quem não se limita a dizer, mas há décadas se esforça para que suas idéias se realizem. No entanto, quantas concessões de ingênua polidez não faz o autor a pessoas e grupos que, se pudessem, gostariam mesmo é de assassiná-lo! Como realizar as mais belas propostas sem primeiro neutralizar as forças que as estrangulam e que, quando não conseguem destrui-las, tratam de corrompê-las e prostitui-las para que acabem servindo ao mesmo mal que pretendiam corrigir? Quando as pessoas imbuídas das melhores intenções neste país vão aprender a lição de Hegel sobre "a obra do negativo", a função preliminar, básica e imprescindível que a crítica corrosiva e a destruição dos antagonismos desempenham na liberação das forças melhores e mais promissoras? Uma só palavra gentil dita aos homens que criaram as situações descritas pelos leitores Ramos e Coelho é o bastante para deitar a perder todos os esforços mais generosos despendidos para corrigi-las. Mais vale um bom palavrão atirado em público à cara de um Tarso Genro, de um Marco Aurélio Garcia, do que mil palavras construtivas atiradas ao vento.
Ninguém, no mundo, tem o monopólio das boas idéias. Elas surgem naturalmente, quando a situação permite -- mas a situação só o permite quando os piores e os mais estúpidos desocupam os altos postos e são devolvidos à sua justa escala de insignificância.
O Brasil, no momento, não precisa de boas idéias. Precisa é de uma ação vigorosa, implacável, contra o império da maldade, da mentira e da estupidez. Esse império foi instaurado pela geração que, nos bancos da universidade, se deixou seduzir pela crença de que era "a parcela mais esclarecida da população" e de que todos os problemas estariam resolvidos quando ela chegasse ao poder. Ela chegou -- e fez do povo brasileiro o mais ignorante, o mais assassino e provavelmente o mais desonesto do mundo.
Posso falar de cátedra, porque essa geração é a minha. Observei como ela se formou e sei o quanto a ilusão de pertencer a uma elite predestinada pode corromper o coração humano. Eu mesmo participei dessa ilusão, e vivo até hoje do arrependimento que ela me infunde. Vejam os cinquenta mil homicídios por ano, vejam o fracasso dos nossos estudantes nos testes internacionais, vejam o poder crescente das gangues de narcotraficantes e de invasores de terras, vejam a amoralidade cínica estampada nos rostos de tantos dos nossos concidadãos -- e me digam se algo de bom é possível construir enquanto os homens que criaram tudo isso continuam mandando no país e acumulam mais poder a cada dia que passa.
Quando nada se faz contra o mal, a apologia do bem torna-se mera desconversa -- a forma passiva e afável da mentira na qual o mal se sustenta.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

De joelhos ante Sua Insolência

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 7 de dezembro de 2009

Pelo noticiário dos últimos dias, os leitores devem ter tomado consciência de que são governados por um indivíduo que se gaba de um crime de estupro, real ou imaginário, e revela sentir uma nostalgia profunda dos dias em que os meninos do interior do Nordeste mantinham relações sexuais com cabritas e jumentas. O que não sei é se percebem o grotesco, a infâmia, a abominação de continuar a chamar esse sujeito de Vossa Excelência, quando Vossa Insolência seria muito mais cabível, fazendo de conta que estão diante de um cidadão respeitável quando estão mesmo é de joelhos ante um sociopata desprezível.
Nenhum político do mundo jamais fez declarações tão insultuosas à moralidade geral e à simples dignidade humana. Muito menos as fez e permaneceu no cargo. Lula não só permanecerá como fará tranquilamente a sua sucessora, porque a sociedade brasileira inteira já se acanalhou ao ponto de aceitar como decreto divino tudo o que venha do "Filho do Brasil". Todos preferem antes ser humilhados, achincalhados, envergonhados ante o universo, do que correr os riscos de uma crise política. Sabem por que? Porque foram reduzidos a uma tal impotência que já não têm meios nem de criar uma crise política.
Em fevereiro de 2004 escrevi: "Quem quer que, a esta altura, ainda sonhe em 'vencer o PT', seja nas próximas eleições, seja ao longo das décadas vindouras, deve ser considerado in limine um bobão incurável, indigno de atenção.
O PT, como digo há anos, não veio para alternar-se no poder com outros partidos - muito menos com os da 'direita' - segundo o rodízio normal do sistema constitucional-democrático. Ele veio para destruir esse sistema, para soterrá-lo para sempre nas brumas do passado, trocando-o por algo que os próprios petistas não sabem muito bem o que há de ser, mas a respeito do qual têm uma certeza: seja o que for, será definitivo e irrevogável.
Não haverá retorno. O Brasil em que vivemos é, já, o 'novo Brasil' prometido pelo PT, e não tem a menor perspectiva de virar outra coisa a médio ou longo prazo, exceto se forçado a isso pela vontade divina ou por mudanças imprevisíveis do quadro internacional."
Fui chamado de radical, de paranóico, de tudo quanto é nome. Os que assim reagiam não tinham - e não têm até hoje - a menor ideia de que existe uma ciência política objetiva, capaz de fazer previsões tão acertadas quanto as da meteorologia, com a diferença de que estas são feitas, no máximo, com antecedência de algumas horas. Quão preciosa não seria essa ciência nas mãos dos planejadores estratégicos, seja na política, seja nos negócios! Recusando-se a acreditar que ela existe, preferem confiar-se aos pareceres dos acadêmicos consagrados, que são tão bem educadinhos e jamais os assustam com previsões certeiras.
Ainda lembro que, em 2002, o Los Angeles Times consultou duas dúzias de eminentes "especialistas" sobre as eleições no Brasil. Todos disseram que Lula não teria mais de 30 por cento dos votos. Só eu - o radical, o alucinado - escrevi que a vitória do PT era não apenas certa, mas absolutamente inevitável.
Do mesmo modo, sob insultos e cusparadas, anunciei que a passagem do tempo desfaria a lenda da "moderação" lulista, pondo à mostra o compromisso inflexível do nosso partido governante com o esquema revolucionário internacional.
Hoje isso está mais do que evidente, e sinais de um temor geral que antes ninguém desejava confessar começam a despontar por toda parte. E que fazem, diante do perigo tardiamente reconhecido, essas consciências recém-despertadas? Correm em busca dos mesmos luminares acadêmicos que já os ludibriaram tantas vezes com suas palavras anestésicas, como instrutores de auto-ajuda.
A elite brasileira é vítima de seu próprio desamor ao conhecimento, agravado de um culto idolátrico aos símbolos exteriores de prestígio e bom-mocismo. Seguindo essa linha inflexivelmente ao longo dos anos, enfraqueceu-se ao ponto de, hoje, ter de baixar a cabeça ante a torpeza explícita, arrogante, segura de si.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Imensas mudanças nas políticas públicas voltadas para as famílias são necessárias para evitar “catástrofe” demográfica na Europa

Posted: 06 Dec 2009 04:09 AM PST
Hilary White

ROMA, Itália, 16 de novembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — As notícias sobre o índice de aborto, casamento, divórcio e nascimentos na Europa estão ruins e ficando apenas pior, declarou um relatório recentemente apresentado para a União Européia.

De acordo com o relatório do Instituto Norueguês para Políticas Públicas os índices de aborto na Grã Bretanha pularam um terço entre adolescentes solteiras e o aborto está ajudando a envelhecer a população da Europa. Sem uma mudança imensa que traga políticas públicas favoráveis às famílias, o modelo de crescimento do aborto e população cada vez mais idosa inevitavelmente levará ao colapso dos benefícios da previdência social e, no final, à falência do Estado socialista europeu que é assistencialista do nascimento até a morte do cidadão europeu.

Apresentado ao Parlamento Europeu na quarta-feira, o relatório disse que a situação da família na Europa é "um panorama de desolação".

"A Europa foi atirada num inverno demográfico sem precedente e se tornou um continente de idosos, com um grande déficit de nascimentos, menos casamentos e mais lares despedaçados e vazios".

"A população envelhecendo, a grave taxa de natalidade, os abortos em ascensão, o colapso do casamento, a explosão de separações conjugais e o esvaziamento dos lares são os principais problemas dos europeus", disse o Relatório sobre a Evolução da Família na Europa de 2009.

O estudo revelou que o número anual de abortos na UE se iguala à população combinada inteira de seus dez menores países membros, com os três principais países abortadores sendo a Grã Bretanha, a França e a Romênia. Na Europa há um aborto a cada 25 segundos, para um total de mais de 1.200.000 abortos por ano. 19 por cento de todas as gravidezes européias terminam em aborto e 28 milhões de crianças foram mortas por meio do aborto desde 1990, tornando o aborto a principal causa de morte na Europa.

A população acima de 65 anos em todos os Estados europeus já excede a população de menos de 14 anos. A população de menos de 14 da UE caiu de 89 milhões em 1993 para 78.4 milhões em 2008. A população de mais de 65 anos aumentou de 68.3 milhões em 1993 para 84.9 milhões em 2008 — um aumento de 16.5 milhões de idosos. A idade média dos cidadãos europeus é 40.3 anos, com a Itália e a Alemanha tendo as mais elevadas populações de idosos.

O índice de nascimentos em queda na Europa, diz o relatório, com seu concomitante aumento de custos de saúde e pensão, levará a aumentos em gastos de assistência pública à população idosa e ao colapso eventual das receitas governamentais oriundas de impostos, levando finalmente à falência do Estado de previdência social. O índice de nascimentos médio dos países da UE é agora 1.38 por mulher, bem abaixo do índice de substituição de 2.1 de nascimentos por mulher, mesmo em países relativamente férteis como a França.

Sem uma mudança significativa em políticas públicas em todos os países da UE, o relatório prediz que o resultado será "catastrófico". Começando em 2010, a população da Europa em geral começará a cair de 499 milhões para 472 milhões em 2050 e de cada três habitantes, um terá mais de 65.

De acordo com o estudo, a Grã Bretanha é a "capital do aborto na Europa" com índices que no ano passado passaram na frente da França. Seu índice de aborto é o quinto no mundo, atrás da Rússia, EUA, Índia e Japão. Entre esses países, a Grã Bretanha é a nação que menos pode se dar ao luxo de ter tal índice elevado, com uma população menos da metade da Rússia e do Japão, um quinto da população dos EUA, e 1/19 da Índia. A idade média das mulheres na Grã Bretanha também esta se levantando, para 41.3, tornando uma recuperação ainda mais difícil.

A população de 27 nações da UE chegou a 500 milhões no ano passado com a maioria dos aumentos em população (78 por cento) atribuível à imigração, não a nascimentos. O aumento natural da população da Europa é 12 vezes mais baixo do que dos EUA. A Espanha tem uma imigração 9 vezes maior do que seu aumento nacional de nascimentos e a população original da Itália caiu (-0.14 milhões) e teve 23 vezes mais imigrantes do que nascimentos (+3.28 milhões). A Polônia, a Romênia e a Bulgária estão perdendo cidadãos pela imigração e a Lituânia, a Letônia, a Romênia e a Bulgária estão sofrendo a diminuição de suas populações devido aos baixos índices de imigração.

Só a França, a Holanda, a Finlândia e a Eslováquia têm índices internos de aumento populacional maiores do que suas estatísticas de imigração.

Outros indicadores mostram que o número de casamentos, principalmente primeiros casamentos, está diminuindo e o índice de divórcios está crescendo. Há um quarto menos casamentos do que em 1980 e o índice de casamento caiu em 9 entre dez países. Uma de cada 3 crianças (36.5 por cento) nasce fora do casamento. Em alguns países a queda do índice de casamento está por volta de 50 por cento desde 1983 e há mais de um milhão de divórcios por ano, o equivalente a uma separação conjugal a cada 30 segundos.

Mais pessoas (55 milhões) estão vivendo sozinhas do que nunca. Uma de cada quatro residências na Europa tem apenas um morador e duas de cada quatro residências não têm filhos. Das residências com crianças, 50 por cento têm apenas um filho.

O relatório recomenda a criação de um ministério da UE para a família, leis para aumentar a flexibilidade das horas de trabalho para favorecer as famílias, aumentos nas taxas de benefícios para as famílias e uma ênfase em programas assistencialistas para as famílias em vez de para indivíduos.

O relatório pede que os governos reconheçam os direitos das famílias, inclusive o direito de os pais reconciliarem trabalho e vida familiar; tenham o número de filhos que quiserem; escolham o tipo de educação que seus filhos recebem e o direito de as crianças viverem num lar estável.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/nov/09111607.html

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domingo, 6 de dezembro de 2009

Ameaça à liberdade de expressão

Posted: 04 Dec 2009 04:14 AM PST

Diploma de jornalista e regulação da internet colocarão na mão do governo liberdade de expressão no Brasil

Julio Severo

O governo Lula rebola de um lado, rebola do outro, desvia-se de acusações de censura, mas sempre dá um jeito de contornar tudo criando esquemas que, no final das contas, são pura e simplesmente censura. É um samba louco onde o governo que quer impor controle sobre as opiniões da população luta para evitar que o público perceba como censura suas medidas.

Não dá para dizer que o governo está fracassando em seus esquemas, pois a grande maioria da imprensa brasileira e seus jornalistas diplomados encontra-se hoje presa aos interesses do governo, que é o maior anunciante em TVs, rádios, revistas, etc. Mas mesmo com tal imenso controle, o governo está preocupado com uma minoria de jornalistas não diplomados que vivem sem a dependência do generoso e gordo "patrocínio" estatal. Para resolver esse "problema", o governo quer conduzir todos ao curral da imprensa diplomada e patrocinada.

Emenda à Constituição para deter a atuação de quem "não está credenciado" para escrever notícias

Com tal finalidade, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33/09, de autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), que determina a obrigatoriedade do diploma de curso superior de jornalismo para exercer a profissão de jornalista. Agora, a PEC, que foi aprovada com emendas do relator, o senador comunista Inácio Arruda (PCdoB-CE), segue para deliberação no Plenário.

Na prática, essa obrigatoriedade imporá que qualquer cidadão brasileiro, para emitir opinião sobre eventos e fatos, tenha diploma de curso superior de jornalismo. Pastores, padres e outros brasileiros estarão legalmente proibidos de tratar de importantes assuntos políticos e sociais em rádios, TVs e blogs. Eles terão de deixar esses assuntos para os "diplomados": homens e mulheres que tiveram o privilégio de passar por faculdades credenciadas pelo MEC — faculdades que sabem discipular suas cobaias estudantis nas maravilhas do marxismo jornalístico.

Um governo de coração marxista adora patrocinar uma imprensa com jornalistas formados no marxismo. Por isso, assim pensa o governo, é fundamental que todos os que querem trabalhar na imprensa tenham, quer queiram ou não, "direito" a essa formação.

A aprovação da PEC 33/09 no Congresso poderá levar à extinção da imprensa verdadeiramente livre no Brasil. Enquanto os chamados jornalistas de diploma encontram-se muitas vezes empregados em veículos de comunicação dependentes de poderosos anunciantes estatais como a Petrobras, o jornalista sem diploma, que trabalha em blogs e outros meios de comunicação, pode falar com toda a liberdade, sem temer a perda de anúncios de empresas estatais.

Daí, há uma diferença enorme entre o jornalista diplomado, sob a coleira estatal, e o jornalista sem diploma, que ousa viver sem essa coleira. Tanta liberdade deixa o governo preocupado.

A obrigatoriedade do diploma facilitará o trabalho do governo para de uma forma ou outra impor controle naqueles que lidam com notícias. Com esse recurso, nem o governo nem os grupos gays nem o Ministério Público Federal (MPF) e nem a SaferNet precisarão se limitar a acusações do crime fictício de "homofobia" e outros rótulos ridículos para fechar o Blog Julio Severo e deter seu autor. Poderão também invocar a questão do "diploma".

Desde 2006, quando a Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo entrou com queixa de "homofobia" contra mim e meu blog, o MPF anda me espreitando. Com o tempo, os queixosos e suas queixas aumentaram, contando inclusive com Toni Reis, presidente da ABGLT, e Luiz Mott, líder máximo do movimento homossexual brasileiro, acusado de defender a pedofilia. Além disso, a SaferNet tem sido uma grande aliada da Gaystapo em seus esforços de interditar permanentemente o Blog Julio Severo. Com a PEC 33/09, governo, grupos gays, MPF, Toni Reis, Luiz Mott e SaferNet poderão simplesmente dizer: "Julio Severo não tem diploma de jornalista. Portanto, ele não tem direito de escrever artigos noticiosos. Ele não tem o direito de ter um blog!"

Censura estatal acobertada pela imprensa patrocinada pelo Estado

A censura já está aos poucos se impondo no Brasil. Só não percebemos porque, habituados a deixar que o noticiário da TV Globo ou da TV Record nos informe de tudo, ignoramos que os jornalistas diplomados da imprensa patrocinada filtram o que o público pode ver e ouvir. Muitos no público pensam que só porque a Globo e a Record nunca nos alertam sobre os perigos do PLC 122/06, esses perigos não existem. Em sua essência, o PLC 122/06 é hoje o maior projeto de censura homossexual aos cristãos do Brasil.

Os telespectadores da Globo e Record nada sabem sobre os sofrimentos dos blogueiros perseguidos. Eles também nunca viram, nem uma única vez, a Globo ou a Record denunciando a perseguição dos grupos gays, do governo, da SaferNet e do MPF contra escritores que exercem seu direito de livre expressão para falar da homossexualidade. O fato é que eles não sabem que, apesar de suas aparentes diferenças, tanto a Globo quanto a Record têm como grandes anunciantes o próprio governo federal. Elas comem do mesmo prato estatal. Que interesse então a Globo e a Record teriam em desmascarar o governo que as sustenta? Dá então para confiar numa imprensa que rotineiramente censura, acoberta e protege as iniciativas do governo para censurar blogs e escritores?

Além do Blog Julio Severo, que já chegou a ser interditado por três dias em 2007, num caso que mobilizou advogados, um procurador e até o filósofo Olavo de Carvalho, outros blogs também estão sofrendo ameaças. A organização Repórteres Sem Fronteira alerta sobre a censura contra blogs no Brasil. E a Organização dos Estados Americanos declarou que o Brasil não está assegurando o direito de livre expressão.

Contudo, a obrigatoriedade do diploma de jornalista para quem escreve artigos e notícias não é o único golpe estratégico contra a liberdade de expressão, pois um dos maiores desafios para o governo é a internet, que é um grande campo minado para o avanço dos interesses estatais.

A armadilha do Marco Civil e sua censura "democrática"

Encontra-se em fase de estudos um projeto de lei que visa regular o uso da internet. A questão é muito séria, pois no site do Marco Civil (http://www.culturadigital.br/marcocivil) aparecem questões como "Liberdade de expressão" e "Anonimato". Então, como quererão regular dois direitos garantidos na Constituição? Só se for para limitá-los. O governo quer mesmo é limitar o uso da liberdade de expressão na internet, pois a internet é o único meio em que o governo ainda não conseguiu impor seu domínio, seja através da regulação ou do investimento de verbas milionárias de publicidade. A internet é o único meio em que se pode encontrar alguma independência ou fugir um pouco do conteúdo altamente esquerdista presente nas emissoras de televisão ou revistas.

Veja trechos do site do Marco Civil:

1.2.2 Conflitos com outros direitos fundamentais. Anonimato

A liberdade de expressão deve ser analisada em consonância com outros direitos fundamentais. Um deles é o direito de resposta; outro é o direito de indenização pelos danos morais e materiais sofridos no caso de violações de imagem, honra, intimidade ou privacidade.

Esse é um dos motivos pelos quais a Constituição veda o anonimato com relação à livre manifestação do pensamento: numa sociedade democrática, a liberdade de expressão gera também um dever de responsabilidade com relação à manifestação emitida, na medida em que esta fira direitos fundamentais de terceiros.

(...)

A vedação ao anonimato tem por fundamento apenas evitar a impossibilidade da identificação de eventuais responsáveis por violação de direitos de terceiros, estando também essa identificação submetida à proteção de garantias constitucionais.

1.2.3 Liberdade de expressão na Internet

O presente debate busca compreender, dentre outras coisas, em que medida o direito à liberdade de expressão precisa ser tutelado ou regulado no âmbito da internet, e quais as situações potenciais trazidas pelas novas tecnologias que mereceriam atenção especial quanto à sua proteção.

Em um contexto de convergência, a liberdade de informação, de modo geral, e a liberdade de expressão, em particular, devem sofrer uma ampliação da sua abrangência, devendo ser respeitadas não somente na camada de conteúdo, mas também na camada física (infra-estrutura) e lógica (protocolos responsáveis pela localização, transporte e endereçamento das informações).

O projeto ainda se encontra em fase de consultas, no seguinte site:

http://www.culturadigital.br/marcocivil

Para postar opiniões, é necessário se cadastrar.

É claro que a meta é coletar a opinião da população e, no primeiro vacilo, manipular tudo a favor de uma censura mascarada como se fosse a "vontade do povo".

Mesmo assim, vá lá e diga que você é contra regular a internet. Diga que, diferente das TVs e rádios, a internet não é nenhuma concessão pública! Se esse projeto passar como o governo quer, a liberdade de expressão e o anonimato na internet serão certamente colocados nas mãos do governo. Os usuários de internet serão policiados a cada passo. E imagine as conseqüências dos que encontram na internet o único espaço para criticar as insanidades estatais.

Não há a menor dúvida de que o governo quer sobre a internet o mesmo controle que tem sobre as TVs e as rádios. Com esse objetivo, ele fará uso de qualquer artimanha para impor seu domínio na internet, mesmo que tenha de alegar que sua única intenção é combater crimes de pedofilia. Com esse domínio, restarão apenas duas liberdades:

Aos jornalistas diplomados, que trabalham na imprensa patrocinada pelo governo, liberdade para dizer tudo o governo quer ouvir.

Aos jornalistas não diplomados, que sobrevivem sem patrocínio estatal, total liberdade para pararem de escrever enquanto é tempo!

Mesmo não tendo diploma nem patrocínio da Petrobras, continuarei exercendo normalmente meu trabalho jornalístico. Continuarei utilizando minha liberdade para falar o que o governo e a sociedade precisam ouvir, pois em análise final, a liberdade de expressão é um dom de Deus, não uma concessão estatal.

Mesmo que o governo, bem ao estilo comunista ou lulista, consiga colocar na ilegalidade a todos nós jornalistas não diplomados, nossa voz não se calará.

Mesmo no deserto e sob risco de prisão, nossa voz cumprirá sua missão de despertar um Brasil adormecido nas esplendidas mentiras de um falso messias-metalúrgico e sua ideologia desonesta.

Com a colaboração de Júlio Lins sobre as informações do Marco Civil.

Fonte: www.juliosevero.com

sábado, 5 de dezembro de 2009

Computadores descartados pela Europa envenenam crianças na África

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/12/05/ult2682u1416.jhtm

Onde está a responsabilidade social das multinacionais globalizadas da era da informática???

05/12/2009

Der Spiegel
Clemens Höges
Os cidadãos do Ocidente jogam fora milhões de computadores velhos todos os anos. Centenas de milhares deles acabam na África, onde as crianças procuram ganhar a vida vendendo peças velhas das máquinas. Mas os elementos tóxicos presentes no lixo as estão envenenando lentamente.

Segundo a Bíblia, Deus lançou uma chuva de fogo e enxofre para destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. E as autoridades governamentais de Accra, em Gana, também passaram a chamar de "Sodoma e Gomorra" uma parte da cidade afetada por produtos tóxicos de um tipo que os moradores das cidades bíblicas jamais poderiam imaginar. Ninguém vai a esse local, a menos que isso seja absolutamente necessário.

Uma fumaça ácida e negra passa sobre os barracos da favela. As águas do rio também são pretas e viscosas como óleo usado. Elas carregam gabinetes de computador vazios para o oceano. Nas margens do rio veem-se fogueiras alimentadas por isopor e pedaços de plástico. As chamas consomem o material plástico de cabos, conectores e placas-mãe, deixando intactos apenas o metal.

Hoje há um vento que faz com que a fumaça dessas fogueiras infernais passem lentamente por sobre a terra. Respirar muito profundamente é doloroso para os pulmões, e as pessoas que alimentam as fogueiras às vezes dão a impressão de serem apenas silhuetas vagas e enevoadas.

Uma figura pequena e curvada caminha entre as fogueiras. Com uma mão, o garoto arrasta um alto-falante velho pela terra e as cinzas, puxando-o por um fio. Com a outra mão ele segura firmemente uma bolsa.

O alto-falante e a bolsa são as únicas posses do garoto, além da camiseta e as calças que ele usa. Ele tem um nome incomum: Bismarck. O garoto tem 14 anos, mas é pequeno para a idade. Bismarck vasculha a terra em busca de qualquer coisa que os garotos mais velhos possam ter deixado para trás após queimarem uma pilha de computadores. Podem ser pedaços de cabo de cobre, o motor de um disco rígido, ou peças velhas de alumínio. Os ímãs do seu alto-falante também capturam parafusos ou conectores de aço.

Bismarck joga tudo o que encontra dentro da bolsa. Quando a bolsa estiver cheia até a metade, ele poderá vender o metal e comprar um pouco de arroz, e talvez também um tomate, ou até mesmo uma coxa de galinha grelhada em uma fogueira acesa dentro do aro de um carro velho. Mas o garoto diz que hoje ainda não encontrou o suficiente. Ele desaparece novamente na fumaça.

O refugo da era da internet
Esta área próxima a Sodoma e Gomorra é o destino final dos computadores velhos e outros produtos eletrônicos descartados de todo o mundo. Há muitos lugares como este, não só em Gana, mas também em países como Nigéria, Vietnã, Índia, China e Filipinas. Bismarck é apenas um de talvez uma centena de crianças daqui, e de milhares do mundo inteiro.

Essas crianças vivem em meio ao refugo da era da internet, e muitas delas podem morrer por causa disso. Elas desmancham computadores, quebrando telas com pedras, e a seguir jogam as peças eletrônicas internas em fogueiras. Computadores contêm grandes quantidades de metais pesados e, à medida que o plástico é queimado, as crianças inalam também fumaça carcerígena . Os computadores dos ricos estão envenenando os filhos dos pobres.

A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que até 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são jogadas anualmente no lixo em todo o mundo. O custo para se reciclar apropriadamente um velho monitor CRT na Alemanha é de 3,50 euros (US$ 5,30 ou R$ 9,20). Mas o envio do mesmo monitor para Gana em um contêiner de navio custa apenas 1,50 euro (R$ 3,80).

Um tratado internacional, a Convenção de Basileia, entrou em vigor em 1989. O tratado baseia-se em um conceito justo, proibindo os países desenvolvidos de enviarem computadores que foram para o lixo aos países subdesenvolvidos. Até o momento 172 países assinaram a convenção, mas três deles ainda não a ratificaram: Haiti, Afeganistão e Estados Unidos. Segundo estimativas da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, cerca de 40 milhões de computadores são descartados todos os anos somente nos Estados Unidos.

Diretrizes da União Europeia com acrônimos como WEEE (sigla em inglês de Lixo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos) e RoHS (Restrição a Substâncias Perigosas) seguiram-se à Convenção de Basileia, e países individuais transformaram-na em lei. As leis relativas à administração de lixo na Alemanha estão entre as mais estritas do mundo, e neste país o envio de computadores descartados a Gana pode dar cadeia. Em tese.

Um negócio milionário
Recentemente o governo alemão mobilizou-se para verificar como é a situação na prática. Especialistas da Agência Federal do Meio Ambiente alemã ainda estão redigindo um relatório que será divulgado nas próximas semanas, mas as conclusões já são conhecidas - há sérias brechas no sistema de reciclagem do país. Segundo o estudo, firmas de exportação da Alemanha enviam 100 mil toneladas de aparelhos elétricos descartados a cada ano para os países subdesenvolvidos, o que é bem mais do que os especialistas temiam.

"Este é um negócio milionário. Não se trata de algo que possa ser classificado como crime pequeno", afirma Knut Sander, do instituto ambiental Ökopol, com sede em Hamburgo. Ele foi o autor do estudo, que exigiu meses de pesquisas. Por causa das suas investigações ele recebeu avisos de que deveria tomar cuidado com a sua segurança.

Ele não teve que ir longe do seu escritório para observar a atividade dessa indústria de exportação. "O Porto de Hamburgo é importante", explica Sander. "Aquilo que não sai por Hamburgo é embarcado em Antuérpia ou Roterdã."

Sander descobriu negociantes pequenos que enviam contêineres esporádicos ou alguns carros velhos cheios de computadores. Às vezes há centenas desses carros no terminal de O'Swaldkai, em Hamburgo, de onde os navios saem para a África. Há também grandes empresas enviando cargas de lixo tóxico - as chamadas companhias de remarketing, que coletam centenas de milhares de eletrodomésticos velhos todos os anos. Essas companhias têm autorização para revender computadores que estejam funcionando, mas são obrigadas a reciclar as máquinas defeituosas. E algumas delas sabem muito bem quanto dinheiro podem economizar enviando esses computadores inúteis para Gana.

A tarefa de deter essa exportação de lixo deveria ficar a cargo de uns poucos funcionários da alfândega e da guarda portuária. Mas quando os agentes ocasionalmente abrem um contêiner, eles estão provavelmente pedindo para ter dores de cabeça nos tribunais. As leis não definem o que seja um computador descartado, e é legal exportar computadores usados. Só não se pode exportar as máquinas descartadas. Um computador que está quebrado, mas que talvez ainda pudesse ser consertado, pode ser considerado lixo? E quanto a um computador de 20 anos de idade, que não consegue mais rodar um único programa? Quando há dúvidas, os juízes dão ganho de causa aos exportadores.

Entrando no inferno
Bismarck só sabe que todos os computadores exalam mau-cheiro, tenham eles dez ou 20 anos de idade, e não importando se sejam fabricados pela Dell, a Apple, a IBM ou a Siemens. Quando eles queimam, a fumaça faz com que a sua cabeça e garganta doam. As cinzas pegajosas grudam em cada poro e ruga, e provocam coceiras. Manchas aparecem na pele de Bismarck, mas ele sabe que não pode coçá-las porque a poeira tóxica entraria nas feridas abertas.

Desde o início Bismarck sabia que estava entrando no inferno. Mas quando tinha dez anos de idade, ele imaginava que o inferno pudesse, de alguma forma, constituir-se em uma aventura. De toda maneira, ele não tinha escolha, assim como as outras crianças daqui de Sodoma. A maioria delas vem das regiões mais pobres de Gana, no norte do país, para a capital, Accra.

Bismarck consegue ainda se lembrar da sua vila, que fica perto de Techiman, mais ou menos no meio do país. Lá não há eletricidade, e as paredes dos casebres são feitas de terra.

O pai dele desapareceu quando Bismarck era pequeno, de forma que ele jamais pôde perguntar por que o homem lhe deu um nome tão estranho, que ninguém na vila havia ouvido antes. A mãe de Bismarck criou-o sozinha, até ter sido atropelada por um carro. Ela perdeu as duas pernas no acidente, e morreu pouco depois.

Uma tia adotou Bismarck, mas havia pouca comida para todos. Finalmente um garoto mais velho da vila lhe falou sobre Accra, e sobre um lugar entre o mercado Agbogbloshie e a favela Sodoma, onde até mesmo um menino de dez anos de idade seria capaz de ganhar dinheiro suficiente para comprar comida. O adolescente de 16 anos também lhe falou sobre os computadores e a fumaça, e que ele teria que ser forte.

Pouco tempo depois, os dois garotos foram embora da vila, viajando de ônibus e depois de trem. O mais velho tinha dinheiro para as passagens porque já havia trabalhado em Sodoma.

Um euro por dia
Bismarck aprendeu as regras rapidamente. Existe uma hierarquia, e todo garoto pode tentar galgar essa estrutura. Os homens jovens, de cerca de 25 anos de idade, controlam as grandes balanças de ferro velho que ficam com frequências nos locais onde se podem ver marcas de pneus na cinza que cobre a terra. Quando a sacola de Bismarck fica cheia até a metade após um dia perambulando em torno das fogueiras, ele pode vender o material recolhido para esses homens por cerca de dois cedis ganenses, o equivalente a cerca de um euro ou US$ 1,50 (R$ 2,60).

Aqueles que são um pouco mais novos, com cerca de 18 anos de idade, possuem carrinhos de mão feitos com tábuas e eixos de carros velhos. Eles seguem para a cidade no início da manhã para coletarem computadores dos importadores de refugo e trazem o material de volta para a favela. Eles quebram os computadores e retiram os cabos, e depois jogam o que restou nas fogueiras ou vendem esse resíduos para garotos um pouco mais novos.

São principalmente esses garotos que carregam os montes de cabos plástico para serem queimados nas fogueiras. Um deles é Kwami Ama, que tem 16 anos e é um dos dois amigos de Bismarck aqui. Kwami tem um corpo forte e uma face redonda e de expressão honesta. Somente os olhos dele, altamente avermelhados devido à fumaça quando a noite cai, lhe dão uma aparência meio selvagem. As cicatrizes espalhadas pelas mãos foram provocadas pelas bordas afiadas de computadores quebrados e geladeiras velhas. Kwami arranca a camada de isolamento das geladeiras e as usa para acender as fogueiras,antes de jogar as peças de computadores no fogo. O isopor queima emitindo chamas violetas e verdes, com um calor suficiente para derreter até mesmo cabos dotados de produtos químicos retardadores de fogo no seu isolamento plástico.

Ao contrário de Bismarck, Kwami não consegue mais falar sobre a sua vida. "Fico triste com frequência", diz ele, embora esteja se saindo bem pelos padrões de Sodoma. Alimentar as fogueiras é a tarefa mais tóxica de todas, mas ele ganha dinheiro suficiente para alugar um local para dormir em um barraco de madeira em Sodoma. O barraco tem cerca de dois metros de largura por três de comprimento. Três garotos dormem dentro dele, dividindo o assoalho de madeira. Não há janelas no barraco, mas a porta tem um cadeado, o que lhes permite dormir em segurança - o que é um luxo em Sodoma.

Pobres contra pobres
Ao contrário do seu amigo, Bismarck tem medo da noite. Ele enrola-se no escuro como um cão e dorme encostado em uma parede de madeira em Sodoma, ou sobre as cinzas, ao lado de uma geladeira quebrada na área aberta onde ficam os eletrodomésticos quebrados. Às vezes ele dorme sobre as balanças. Ele muda o local de dormir com frequência. Bismarck tem apenas dois amigos aqui. No inferno, os pobres lutam contra os pobres.

Alguns dias depois, Bismarck teve um golpe de sorte ao encontrar uma grande quantidade de cobre, e o homem da balança pagou a ele sete cedis. Bismarck só gastou dois cedis, mas na manhã seguinte os outros cinco haviam desaparecido. Alguém usou uma lâmina para abrir o bolso de Bismarck quando ele dormia. Ele simplesmente ganha muito pouco. Bismarck consegue pagar pela comida ou por um local para dormir, mas não pelas duas coisas.

Bismarck também não pode passar a noite com os seus outros amigos. Danjuma tem 11 anos de idade e acredita que já está trabalhando aqui há vários anos. Os seus pais ainda são vivos, mas quatro outros irmãos dividem um barraco com ele em Sodoma, e não há espaço lá para Bismarck.

A mãe de Danjuma detesta ver o filho trabalhando nas fogueiras e desejaria que ele estivesse na escola. Mas a família precisa de dinheiro. Danjuma é o filho mais velho, e não se sabe quanto tempo mais ele será capaz de trabalhar efetivamente. Ele padece de dores frequentes no peito e nas costas.

Danjuma e Bismarck pertencem ao grupo mais jovem, de crianças entre 8 e 14 anos. Nem eles nem as meninas têm permissão para alimentar o fogo. Os garotos novos trabalham com ímãs, e as meninas trazem água em sacos plásticos, e às vezes comida, para os garotos mais velhos. "A gente tem que beber muita água", explica Kwami. O sol é escaldante, fazendo com que a temperatura à sombra seja de 30ºC. Mas não existe sombra em Agbogbloshie. Perto dali o plástico está queimando a uma temperatura de mais de 300ºC.

Encolhendo o cérebro
Kwami diz que se esqueceu de muita coisa, mas que ainda se lembra muito claramente de um certo dia do ano passado. Um grupo de indivíduos brancos veio até à área de ferro velho, o que é raro. Eles eram do Greenpeace. Um homem usava luvas e carregava pequenos tubos de ensaio. Ele coletou amostras da lama de um dos lagos formados pelo rio, e depois cinza e solo de vários locais diferentes na área.

O químico analisou as amostras quando voltou para casa, na Inglaterra, e os valores que obteve não foram bons. Ele descobriu concentrações elevadas de chumbo, cádmio e arsênico, bem como de dioxinas, furanos e bifenis policlorados.

O chumbo, para tomar como exemplo apenas um dos produtos químicos perigosos, provoca dores de cabeça e estomacais após uma breve exposição. No longo prazo, ele danifica o sistema nervoso, os rins, o sangue e especialmente o cérebro. Quando uma criança ingere chumbo através da água ou por inalação, o seu cérebro encolhe ligeiramente e a sua inteligência diminui. Cientistas da Alemanha ficam preocupados quando descobrem concentrações acima de um limite de 0,5 miligramas de pó de chumbo por metro cúbico de ar. O tubo de raios catódicos de um único monitor de computador contém cerca de 1,5 quilograma de chumbo. Muitas das outras substâncias encontradas pelos químicos no local também provocam câncer, entre outras doenças.

Contra-atacando
Mike Anane, um ativista ambiental e coordenador local da organização internacional de direitos humanos FIAN, trouxe os membros do Greenpeace para cá. Anane nasceu aqui há 46 anos, bem ao lado de onde hoje em dia se situa Agbogbloshie. Naquela época, as margens dos rio eram repletas de prados verdes e de flamingos, e os pescadores tiravam o seu sustento do rio. Agora não existe vida nessas águas.

Oito anos atrás, Anane começou a perceber a chegada de uma quantidade cada vez maior de caminhões em Agbogbloshie, com as carrocerias repletas de computadores. Ele observou a situação de perto e passou a contra-atacar aquilo que viu. Anane coleta adesivos de procedência de vários computadores descartados para descobrir de quem são os venenos queimados aqui. Ele possui adesivos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, de autoridades britânicas e de companhias como o Banco Barclays e a British Telecom. "Algumas crianças daqui não chegarão aos 25 anos de idade", acredita Anane.

Ele sabe, porém, que as companhias e organizações cujos selos chegam aqui juntamente com os equipamentos descartados não são os agentes que de fato trazem esse lixo para o seu país. As pessoas diretamente envolvidas são comerciantes como Michael Ninicyi, diretor da Kofi Enterprise.

A Kofi Enterprise é uma pequena loja repleta de computadores. Os melhores produtos são velhas máquinas Pentium vendidas por US$ 90 (R$ 156), incluindo um leitor de DVD. Impressoras e copiadoras são exibidas sob uma cobertura amarela na frente da loja - todas as máquinas são provenientes da Alemanha, segundo Ninicyi. Um exemplar do jornal "Berliner Morgenpost", usado para proteção contra arranhões, encontra-se dobrado entre dois computadores. Algumas das máquinas ainda trazem os adesivos de companhias cujas sedes ficam, por exemplo, na pequena cidade alemã de Kleve, no Estado de Brandenburgo ou no de Rhineland. Todos esses produtos funcionam e são legais.

"Este negócio é bom para Gana"
Ninicyi usa calças com vincos, um colar de ouro e sapatos caros. Este é um homem que alcançou o sucesso. O seu inglês é excelente, ele fala bem e é capaz de se defender com sucesso - embora não sinta necessidade de fazer tal coisa. Na verdade, o que ele sente é o contrário.

Ninicyi compra os seus produtos exclusivamente de navios de contêineres provenientes de Hamburgo. "Os alemães simplesmente tomam mais cuidado com os seus equipamentos do que qualquer outro povo", explica. Ele não quer dizer exatamente quem são os vendedores. Ninicyi compra os produtos sem examiná-los, algo que é comum nesta atividade. Como parte dos seus cálculos de custos, os vendedores alemães fazem com que em cada contêiner haja alguns equipamentos que funcionem, bem como alguns que ainda podem ser consertados. O restante, cerca de 30%, é lixo, que Ninicyi repassa imediatamente aos garotos que vêm de Agbogbloshie com os seus carrinhos da mão. Contêineres vindos do Reino Unido trazem uma proporção muito maior de lixo.

"Este negócio é bom para Gana e para os outros países", assegura Ninicyi. Ele diz que sente pelas crianças, mas afirma que paga impostos, e os seus fregueses também e que o povo de Gana tem acesso a computadores de preço acessível.

Ninicyi conhece até uma teoria maior que faria com ele fosse visto como algo semelhante a um funcionário de ajuda de desenvolvimento. A teoria da "lacuna digital", originalmente desenvolvida na Universidade de Minnesota, afirma simplesmente que, como os pobres não têm acesso aos meios modernos de comunicação, e como é o conhecimento que cria prosperidade, as pessoas mais pobres continuarão ficando para trás e a lacuna se expandirá ainda mais. O fornecimento de computadores ajuda a reduzir essa lacuna.

Essa teoria tem alguns pontos fracos. Por exemplo, ela foi desenvolvida em 1970, três anos antes de um jovem estudante chamado Bill Gates sequer começar a estudar na Universidade Harvard. Há também uma segunda teoria da era da computação, a Lei de Moore, cujo nome é uma alusão a um dos cofundadores da Intel, que afirma que a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada dois anos. Os criadores de softwares seguem a tendência, fazendo com que os computadores mais novos de hoje já estejam ultrapassados amanhã e prontos para serem mandados para Sodoma um dia depois.

"Por que vocês não interrompem o fluxo de lixo?"
"Esse processo está cada vez mais rápido, e nós estamos sendo esmagados", queixa-se John Pwamang, diretor do Centro de Gerenciamento e Controle de Produtos Químicos da Agência de Proteção Ambiental de Gana. A agência está localizada em um prédio de concreto em péssimas condições. A caminho do escritório de Pwamang, os visitantes precisam subir primeiro uma escada que no passado deve ter sido verde, e a seguir passar por um banheiro com defeito e uma sala de conferência de cortinas marrons esfarrapadas. Na sala há três depósitos de lixo - um marrom, para papel, um cinza, para plástico, e um outro marrom para tudo mais. Entretanto, o país não conta com um sistema de reciclagem de lixo em funcionamento. Ao que parece a agência de Pwamang ainda tem alguns problemas pela frente.

Os olhos de Pwamang são pouco visíveis por trás das grossas lentes bifocais. Ele fala suavemente, o que o ajuda a parecer mais tranquilo do que realmente é. "Vocês europeus não mudam", reclama ele. "O que deveríamos fazer com os produtos tóxicos que vocês nos mandam? Não temos como reciclá-los. Vocês possuem as instalações para isso. Computadores que funcionam não são nenhum problema, mas muitas das máquinas velhas demais não duram nem um ano aqui. Por que vocês não interrompem o fluxo de lixo?".

Pwamang não tem como provar que o chumbo e as dioxinas estão matando as crianças. Quase ninguém com mais de 25 anos trabalha nas fogueiras às margens do rio de águas pretas. E não existe estudo algum sobre o problema. O Greenpeace identificou e quantificou as toxinas, mas a organização não examinou os efeitos diretos delas. "As crianças estão doentes", afirma Pwamang. "Temos aqui metais pesados e venenos. Um estudo seria bom, mas mesmo sem nenhum estudo eu sei que a situação é desastrosa."

Sonhando em escapar
Mas, apesar de tudo, as crianças de Sodoma às vezes parecem se divertir. Os garotos mais velhos jogam futebol à noite em um espaço aberto entre as fogueiras, com dois vergalhões servindo de gol e monitores de computador vazios marcando as bordas do campo. Os jogadores correm e mergulham entre a fumaça das fogueiras. Eles não estão jogando apenas para se divertir, mas também por causa de seus futuros, já que muitos ganenses deixaram o país para jogar nas ligas profissionais no Ocidente. É um sonho meio louco, mas para muitos dos jovens daqui, um sonho é a única coisa que lhes permite escapar.

O amigo de Bismarck, Danjuma, tem o mesmo sonho, é claro. Ele adoraria treinar futebol, apesar das dores no peito. Mas ele não tem dinheiro para comprar uma bola. Mas talvez seja melhor assim já que, se corresse, ele teria que respirar profundamente a fumaça.

Tradução: UOL