Divinity Original Sin - The board game

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Katyn II: A morte que lhes caiu bem

Fonte: https://www.midiaamais.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3016&Itemid=58
por Henrique Dmyterko em 27 de abril de 2010 Opinião - EUA e Geopolítica 


Tusk e Putin: “Solidariedade”
Já um tanto esquecida pela mídia ocidental, em meio a cinzas vulcânicas, colapsos financeiros, brumas russas e mísseis iranianos, a morte do presidente polonês em 10/04, quando da queda do avião [em Smolensk, Rússia] que levava a ele e numerosa comitiva para uma cerimônia em homenagem às vítimas do massacre de Katyn, cometido pelos soviéticos em 1940, no qual cerca de 22.000 poloneses foram sumariamente fuzilados por tropas da NKVD (antecessora da KGB), levantou várias perguntas, quase todas ainda não respondidas. Se depois de duas semanas retomo o assunto é pelo simples fato de que se as repercussões esmorecem na mídia, as consequências dessas mortes se farão sentir ainda por muito tempo, e não só na Polônia.
 
Acredito que a principal pergunta seja: quem se beneficiou com morte de Lech Kaczynski?
 
Note: eu pergunto quem se beneficiou e não quem supostamente teria tramado para matá-lo, diferente de alguns “analistas” que já se apressaram em apontar um complô da FSB (sucessora da KGB e da NKVD) como o responsável pela queda do avião. No campo das especulações e até mesmo dentro daquilo que é verossímil e lícito ponderar, ou mais ainda, considerando o histórico das conturbadíssimas relações soviético-polonesas e russo-polonesas, não descarto essa possibilidade, mas devo ressaltar que a verdade completa muito dificilmente será conhecida. Primeiro porque o avião caiu em território russo, quase na cabeceira da pista do aeroporto militar de Smolensk; segundo porque o chefe das investigações é ninguém menos do que Vladimir Putin. Dito isto, mesmo que sejam apresentados indícios concretos de que houve mera falha humana ou outra causa fortuita, sempre será possível duvidar da origem e solidez desses indícios.  E se não descarto essa possibilidade, já rotulada de “o mais conveniente acidente da história recente”, não há elementos disponíveis para avançá-la até a uma conclusão definitiva. Sobre as causas, a dúvida será perene, como sempre há dúvida e mistério em quase tudo que envolve a Rússia e seus interesses. Mas que o leitor não se engane: tais interesses são ainda mais nebulosos quando elevados a outro patamar, qual seja, o das relações russas com banqueiros e grandes grupos industriais ocidentais.  
 
Por outro lado, não há nada de especulativo na tentativa de apontar os beneficiários, diretos ou indiretos, da morte de Lech Kaczynski. São eles:
 
* Donald Tusk, o primeiro-ministro polonês e seu partido, o Plataforma Cívica, cujo candidato à presidência, Bronislaw Komorowski, já antes do acidente estava um pouco à frente nas pesquisas de intenção de voto. A não ser que Jaroslaw Kaczynski, o ainda mais intransigente irmão gêmeo do presidente morto resolva concorrer, o panorama imediato é de vantagem para o "Plataforma Cívica", descrito como partido de centro-direita, mas amplamente favorável à “normalização” das relações com a Rússia e de uma acomodação bem menos estridente aos ditames da União Européia.

    * A Rússia, mais precisamente Vladimir Putin e Medvedev. A despeito da planejada cerimônia conjunta de homenagem às vítimas de Katyn, em anos recentes houve um renovado esforço russo no sentido de lançar dúvidas sobre a culpa soviética, além de manter selados os seus arquivos sobre Katyn. Renovando a velha prática stalinista, o governo russo vinha maquiando os livros de história de forma a apresentar o período soviético em tons mais róseos que o vermelho de muito sangue. Afinal, sob o socialismo, “é impossível prever o passado”. Para dar uma pequena idéia de mais esse episódio de revisionismo, já neste 1º de maio de 2010, a antes banida figura de Joseph Stalin estará novamente estampada por toda Moscou, como lembrança de “um grande líder”.

    * A União Européia e mais especialmente a Alemanha, que se viram livres de uma autêntica pedra no sapato na figura de Lech Kaczynski. E por quê? Ele era nacionalista, ferrenho anticomunista, católico fervoroso (e, portanto, antiaborto) e crítico feroz de várias políticas da UE. Como presidente, era chefe de estado, e dele se esperava a postura de figura simbólica e meramente cerimonial, mas sem poderes, estes reservados ao chefe de governo, o primeiro-ministro. Mas ele não se fazia de rogado e falava muito, muito mais do que seus pares gostariam de ouvir em público. Kaczynski denunciou os acordos entre Alemanha e Rússia, que deixaram aquela virtualmente refém do petróleo e gás russos; logo após a invasão russa à ex-república soviética da Geórgia, em agosto de 2008, foi o primeiro líder europeu a protestar e o único a ir pessoalmente à capital, Tbilisi, para prestar apoio ao país invadido, o que instantaneamente o transformou em respeitado porta-voz das pequenas repúblicas do leste europeu, temerosas do renovado expansionismo russo sob Putin.

    * Barack Obama, mesmo que indiretamente, pois Lech Kaczynski era pró-americano, pró-Otan, que via no proposto escudo antimísseis uma garantia contra as “imprevisíveis” pretensões russas na região. Dizer que poloneses e tchecos ficaram frustrados diante do recuo e tibieza de Obama é usar de um eufemismo atroz, considerando a história de acordos entre grandes potências e os resultados desses para os infelizes povos da região. Obama agora talvez possa contar também com um novo líder polonês mais “cordato”, enquanto cínica ou ingenuamente assina tratados que só trazem benefícios aos russos.

    * Grande porção da esquerda política polonesa, formada em grande medida por “ex-comunistas”. De início, os irmãos Kaczynski foram assessores muito próximos de Lech Walesa, o primeiro presidente polonês pós-comunismo. Os três eram oriundos do Movimento Solidariedade, mas Walesa os demitiu quando eles exigiram ações mais firmes e decisivas para a abertura de arquivos da polícia secreta e na revelação de agentes comunistas. Mais tarde, em 2005, o partido conservador Lei e Justiça, formado pelos irmãos Kaczynski, chegou ao poder com a promessa de construir uma nova “IV República” na Polônia, livre de corrupção e daquilo que eles chamavam de “teia cinza” entre ex-funcionários comunistas e empresários que estavam drenando os recursos da nação. Durante anos, essa denúncias foram ignoradas, mas por volta de 2005, na esteira de grandes escândalos no governo, muitos poloneses passaram a acreditar neles. Fazendo um breve retrospecto, em seu auge o movimento Solidariedade, comandado por Lech Walesa, contava com cerca de três milhões de membros e estima-se que um milhão eram também membros do partido comunista polonês. O próprio Walesa foi acusado de ter sido informante e colaborador direto do regime comunista na Polônia.

Quanto aos “analistas” que se apressaram em afirmar que a queda do avião foi resultado de sabotagem eletrônica russa, baseando essa afirmação em relatos romenos e no livro New Lies for Old, de Anatoliy Golitsyn, tenho algumas coisas a dizer:

    * Repito que a hipótese de atentado não pode ser descartada in limine, mas tampouco pode ser apresentada além da categoria de hipótese. O mesmo avião que caiu foi usado 36 horas antes pelo primeiro-ministro Donald Tusk, em viagem a Praga, para assistir à assinatura do novo tratado de redução de armas nucleares. O avião, um antigo Tupolev, foi inteiramente “revisado” pelos russos e devolvido ao governo polonês em dezembro de 2009. Esses aviões eram chamados de “caixões voadores”, mas o governo polonês não os trocou por entender que isso seria uma despesa mal vista em tempos de recessão econômica. Mais importante que isso, é perguntar por que alguém tão desconfiado das atitudes russas quanto o falecido Lech Kaczynski teria embarcado num vôo acompanhado da mulher, de aliados e adversários políticos e, especialmente, de todos os comandantes militares poloneses? Ingenuidade, irresponsabilidade, má-sorte, suicídio coletivo? Talvez nunca venham a público todas as informações necessárias a um esclarecimento definitivo.

    * O livro de Anatoliy Golitsyn, ex-coronel e analista sênior da KGB, é um documento valiosíssimo, pois dá conta das estratégias e táticas de desinformação do bloco soviético e da China comunista. As análises de Golitsyn conduziram a uma impressionante marca de 94% de acertos, destacando-se a antevisão da queda do Muro de Berlim e da “dissolução” da União Soviética como parte de uma muito bem ensaiada e planejada estratégia de “reacomodação” do comunismo soviético com outra face. As ações de Putin no cenário doméstico e no exterior corroboram boa parte dessas análises feitas com mais de 25 anos de antecedência. Conheço bem esse livro e o pensamento de Golitsyn, pois não apenas o estudei como o traduzi em 2004 [a tradução nunca foi publicada]. Todavia, e malgrado o grande valor do livro citado como importante ferramenta de análise [pois o texto é também uma espécie de manual de análise], há outros elementos e fatores não considerados no livro, p.ex.: o financiamento da revolução bolchevique por banqueiros de Wall Street; o financiamento da ascensão de Hitler e da já falida União Soviética nos anos 1920-30 pelos mesmos banqueiros ocidentais; a transferência de tecnologia bélica americana aos soviéticos durante toda a chamada Guerra Fria e especialmente durante a Guerra do Vietnã. Portanto, há outros atores e interesses a considerar nesse jogo de luz e sombras, apontando para aquilo que alguns chamam de “Governo Mundial”, no qual a atuação dos comunistas ou “ex-comunistas” seria apenas uma das faces da mesma moeda.
 
Finalizando, minha interpretação das reações mais imediatas a mais essa tragédia polonesa deve-se à extraordinária colaboração das senhoras Wanda Jeziorowski e Irene Paul Dmyterko, cuja fluência na língua polonesa permitiu-me navegar por três dos mais importantes jornais poloneses, na busca não de notícias propriamente, mas de nuances linguísticas que me trouxessem algum dado novo: o RZECZPOSPOLITA (de centro-direita), a Gazeta Wyborcza (de centro-esquerda) e o tablóide FAKT (curiosamente, de propriedade de um grupo editorial alemão). O resumo, em duas frases de jornalistas distintos, é o retrato dos conflitos vividos entre o “intransigente” Lech Kaczynski e seus adversários: “Será que esta tragédia nos fortalecerá?” e “Adentramos o caminho da reconciliação com os russos”. Em outras palavras, o que está em jogo é, mais uma vez, a sobrevivência de um estado realmente soberano e verdadeiramente cristão e ocidental. O resto são brumas e cinzas.

Colapso da Grécia e o Colapso Global (Gerald Celente)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

As cabeças e a missão

Olavo de Carvalho | 06 Maio 2010
Artigos - Desinformação

Se você não entra no jogo, é excluído não só da corriola palaciana, como antigamente, mas do seu grupo de amigos, do emprego, da família, do universo. Por isso é que o mundo moderno, se ainda não é o império geral da mentira anunciado no livro do Apocalipse, pelo menos dá o melhor de si para aproximar-se desse ideal sublime.

Enojado com o artificialismo dos costumes na côrte de Henrique VIII, Thomas More observou que a mentira política, quanto mais patente e boboca, mais solicitamente é aceita como verdade por aqueles a quem, no fundo, ela não engana de maneira alguma.
Decorridos vários séculos, belo exemplo da validade permanente dessa máxima é o acordo assinado entre Brasil e Paraguai para "reprimir o narcotráfico", lindo evento diplomático seguido de trocas de tiros, não com os traficantes das Farc, mas entre a Polícia Federal do primeiro signatário e a Marinha do segundo (v. http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u729317.shtml). Como ambas as partes sabem que a guerrilha colombiana domina o narcotráfico na fronteira, mas ao mesmo tempo comprometem-se a combater tão somente o crime abstrato, puro, platônico, sem tocar na realidade viva das conexões políticas que o originaram, o protegem e dele se alimentam, torna-se evidente que todo o esforço de cada um dos contratantes residirá em fazer o melhor que possa para impedir que as ações do outro contra o banditismo tenham qualquer resultado substantivo: haja o que houver, as Farc não serão arranhadas.
Tão sério é esse compromisso, que aqueles que o assumiram não hesitam em cumpri-lo à bala. Quem disse que não existe heroísmo entre picaretas?
Eis aí, pela bilionésima vez, o sinal de que, na leitura dos tratados internacionais e declarações políticas em geral, o estudante não deve excluir a possibilidade de que signifiquem precisamente o contrário do que dizem.
A única diferença entre o reinado de Henrique VIII e o mundo moderno é que na época do primeiro só eram obrigados a dizer amém à mentira oficial os membros do círculo mais próximo do rei. O povo, à distância, e os intelectuais, no recesso protegido da universidade, sabiam que tudo aquilo era uma palhaçada, e riam.

Hoje, com os meios de comunicação de massa e a instrumentalização das universidades como meios de "transformação social", o auto-engodo obrigatório se impõe a toda a população e os intelectuais em peso são os primeiros a legitimá-lo, cada um sentindo uma angústia, um peso na consciência toda vez que se recusa a acompanhar seus pares, mesmo por minutos, no exercício de tão honrosa missão.

Se você não entra no jogo, é excluído não só da corriola palaciana, como antigamente, mas do seu grupo de amigos, do emprego, da família, do universo. Por isso é que o mundo moderno, se ainda não é o império geral da mentira anunciado no livro do Apocalipse, pelo menos dá o melhor de si para aproximar-se desse ideal sublime.
Vejam o que aconteceu com o dr. Joseph Sonnabend, epidemiologista e um dos criadores da prestigiosa Foundation for AIDS Research. Um belo dia ele recebeu um press release emitido pelo próprio departamento que ele chefiava. A coisa dizia que a Aids assumira proporções epidêmicas, já não era um risco limitado à parcela mais vulnerável da comunidade homossexual, mas era um perigo iminente para toda a humanidade.

"Que besteira é essa? Eu nunca assinei essa porcaria!", protestou o perplexo doutor. Antes que ele obtivesse uma explicação, a mentira alarmista já tinha virado capa da revista Life, com o título: "Aids: Ninguém está a salvo".

Só quando a farsa já havia se espalhado pelos quatro quadrantes da Terra como verdade científica incontestável uma alma caridosa explicou ao dr. Sonnabend que tudo era um plano da Foundation e da indústria farmacêutica para arrancar verbas do governo americano (v. http://www.youtube.com/watch?v=lfnYciuXeB4&playnext_from=TL&videos=C9lyc9rbliI).

Na verdade, a Aids nunca foi um perigo sério para a população heterossexual e, hoje, não é absolutamente risco nenhum. Confirma-se assim, linha por linha, a denúncia que em 1993 o jornalista Michael Fumento apresentou em seu livro The Myth of Heterosexual Aids (v. http://www.fumento.com/myth.html). Mas dizer indústria farmacêutica é dizer Rockefeller, e dizer Rockefeller é dizer Council of Foreign Relations, Bilderberg Club e, no fim das contas, Nova Ordem Mundial - as mesmas organizações e entidades que estão por trás do climategate, das campanhas mundiais abortista e gayzista, da nova religião global biônica, da proposta do governo Obama para o controle universal da circulação de capitais, etc. etc. - a lista das maravilhas não tem mais fim. Quem vai dar um basta em tudo isso? Ninguém.

A imposição da bestialidade organizada vem precedida de programas educativos calculados para desarmar a inteligência humana, desde a mais tenra infância, contra a força hipnótica das mais tolas mentiras de polichinelo. Henrique VIII mandou cortar a cabeça de Thomas More quando este se recusou a continuar fazendo vista grossa. A Nova Ordem Mundial não corta cabeças: zela para que elas não cresçam até um ponto em que precisem ser cortadas.
E não é só o sistema educacional que serve a esse fim. Para vocês fazerem uma idéia da colaboração prestimosa da "grande mídia" com a microcefalia global planejada, vejam como os medalhões do jornalismo americano responderam ao novo livro do repórter Aaron Klein, The Manchurian President, que investiga, com mais de oitocentos documentos, as relações íntimas entre Barack Obama e tudo quanto é organização comunista, islamofascista e anti-americana nos EUA.

Antes mesmo de poder lê-lo, assim reagiram aquelas belas almas ao mero anúncio de que o livro estava para ser publicado (v. http://www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=149313):
"Nunca, nunca mais me contactem", respondeu o redator da Time, Jeffrey Kluger.
"Porcaria ridícula" (John Oswald, editor do New York Daily News).
"Lixo sensacionalista que não interessa a nenhuma publicação séria" (Rana Foroohar, editora adjunta da Newsweek).
"Tirem-me da sua lista" (Nancy Gibbs, editora da Newsweek).
"Vão cuidar das suas vidas" (David Knowles, comentarista político da America Online).
"Isso é ofensivo" (Ben Wyskida, diretor de publicadade de The Nation).
E assim por diante. A dedicação dos grandes do jornalismo atual à ocultação de notícias politicamente indesejáveis não é um capricho de momento, uma frescura, uma leviandade: é um compromisso sério, profundo, inflexível. É uma missão de vida.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Brasil: Paraíso de terroristas - Parte II

Fonte: http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/11040-brasil-paraiso-de-terroristas-parte-ii.html
Graça Salgueiro | 04 Maio 2010
Notícias Faltantes - Foro de São Paulo 

Não dá para engolir a farsa de que este deputado Dr. Rosinha (PT-PR) desconheça estes fatos! Para eles as FARC não são terroristas, o Foro de São Paulo não existe, os computadores de Raúl Reyes são invenção da CIA e Oliverio Medina não é o embaixador das FARC no Brasil, mas um padre perseguido pela maldade do presidente Uribe. E isto é agir de má-fé calculada, não ignorância ou ingenuidade.
 
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, decretou Estado de Exceção por 30 dias em cinco estados ao norte do país, em decorrência do alto índice de violência que vinha ocorrendo na região, com seqüestros, roubos em fazendas, assassinatos. São eles: Amambay, San Pedro, Concepción, Alto Paraguay e Presidente Hayes. Estes atos criminosos são atribuídos ao grupo guerrilheiro EPP (Ejército del Pueblo Paraguayo), que Lugo prometeu combater desde sua campanha presidencial.
Tudo começou quando, na terça-feira 20 de abril, membros do EPP sacrificaram um animal da fazenda "Arroyito" para se alimentar. A polícia armou uma emboscada para capturar os guerrilheiros mas foram assassinados o sub-oficial da Polícia, Joaquín Agüero, de 25 anos, Omar Valiente, brasileiro de 49 anos, Jair Tavello, brasileiro de 35 anos e o paraguaio Francisco Ramírez. Encaminhado o pedido ao Senado e à Câmara, como matéria a ser votada "com urgência" em decorrência dos quatro assassinatos, o Estado de Exceção foi aprovado e começou no início da semana passada, sob protestos horrorizados dos comunistas da região. Na segunda-feira 25 de abril, o vice-presidente Federico Franco disse ante as câmeras de televisão que o objetivo de Lugo não era capturar os cabeças do EPP, pois ele mesmo os apoiava quando foi bispo em San Pedro. E disso todo mundo sabe no Paraguai. Nesse mesmo dia, em uma coletiva de imprensa o senador Robert Acevedo disse não temer os ataques do EPP e, "coincidentemente", no mesmo dia foi alvo de uma emboscada em Pedro Juan Caballero na qual saiu com ferimentos sem muita gravidade, mas dois de seus seguranças foram assassinados com entre 40 a 60 disparos de metralhadora.
O governo já realizou procedimentos nestas zonas para buscar o fazendeiro Fidel Zavala, que esteve seqüestrado durante 94 dias em outubro do ano passado em mãos do EPP, e libertado após o pagamento do resgate de US$ 550.000.
As autoridades paraguaias prenderam dois brasileiros - Eduardo da Silva e Marcos Cordeiro Pereira - acusados de pertencer ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e logo descartaram a possibilidade deste atentado ao senador Acevedo ter sido por ordem do EPP. O juiz de Campo Grande - MS, Odilon de Oliveira, que já prendeu 500 marginais do crime organizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Ponta-Porã, e é amigo pessoal do senador Acevedo, confirma a atuação do PCC no Paraguai. Diz ele em comentário ao Estadão:
"Existem documentos provando que o brasileiro Nilton Cezar Antunes de Véron, preso em Assunção desde 2005, quando foi flagrado transportando 102 quilos de cocaína colombiana jurou matar o senador (Acevedo). Véron é um dos chefes do PCC no Paraguai. Meu amigo senador sabia de todo esse esquema, mas é um incansável combatente contra o crime organizado. Certamente os pistoleiros tentarão abatê-lo novamente".

Segundo Dr. Odilon, há dados comprobatórios de nexos entre o PCC e as FARC, do mesmo modo que a procuradora paraguaia, Sandra Quiñonez, afirma os nexos das FARC com o EPP.
A Drª Sandra solicitou uma ordem de captura contra Rodrigo Granda, membro do Secretariado das FARC que vive na Venezuela, e Orlay Jurado Palomino, um dos comandantes deste bando terrorista que já viveu comodamente no Brasil com o pleno conhecimento da Polícia Federal, pelo seqüestro e assassinato de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas. Sobre este crime hediondo também são acusados os terroristas Juan Francisco Arrom Suhurt, Anuncio Martí Mendez e Victor Antonio Colmán Ortega, beneficiados com o status de "refugiados políticos" dado pelo CONARE [1]. Não faz nenhuma diferença acusar o PCC pensando em inocentar o EPP, porque todos estes bandos terroristas agem conjuntamente com as FARC, e disso as autoridades comprometidas com a verdade, e não com os guerrilheiros, sabem muito bem.
Ao mesmo tempo, o Brasil volta a negar o pedido de extradição dos três terroristas paraguaios que vivem aqui como "refugiados políticos", alegando que as provas enviadas pelo Paraguai "são frágeis" e que o CONARE dificilmente reverterá sua decisão que foi também aprovada pela ONU. Segundo o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto (que era o presidente do CONARE quando foi concedido e status de refugiados aos três terroristas), Arrom, Martí e Colmán vivem monitorados pela Polícia Federal e pela ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e não têm condições de enviar remessas para as FARC, conforme denuncia o Paraguai, pois "eles vivem no maior miserê, moram em quitinete e andam de ônibus" [2]. Entretanto, não foi isto o que descobriram as corajosas jornalistas Maria C. Prates, do Estado de Minas, e Fernanda Odilla, do Correio Braziliense. Leiam o que dizem elas:
"Hoje, os três paraguaios vivem sob o manto da discrição. Martí mora na Vila Operária, em Maringá (PR) e trabalha como lavrador. Arrom se fixou com a mulher e a filha, que nasceu no Brasil, na capital federal, onde faz tratamento no hospital Sarah Kubitscheck, e Colman, depois de uma temporada no Mato Grosso, está de mudança para Brasília, de acordo com Vasconcelos.
Apesar de não trabalharem, alugam um amplo apartamento, com varanda, três quartos, um deles com suíte e banheira de hidromassagem, em Águas Claras, cidade satélite de Brasília. Gira em torno de R$ 800 o aluguel Residencial Águas Claras II [3], construído em 1996 numa iniciativa da Cooperativa dos servidores do Banco de Brasília na gestão do então petista Cristovam Buarque.
Discretos, se fecham em silêncio e evitam falar sobre o assunto, orientados pelo advogado. Procurados pelo Estado de Minas/Correio Brasiliense, não quiseram falar nem mesmo sobre as sessões de tortura". (Maria C. Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense, 16/11/2005).
Barreto afirma que os três terroristas não pertenciam ao EPP mas ao Partido Pátria Libre (PPL), o que é uma manipulação barata apostando na ignorância e desconhecimento dos brasileiros, pois no Paraguai todos sabem que o EPP é oriundo do PPL. Por outro lado, o deputado petista, Doutor Rosinha, afirmou "nunca ter ouvido falar do EPP como um grupo guerrilheiro". Tanto para os jornais brasileiros, que sempre chamam terroristas de "supostos" e "acusados de", quanto para os petistas que negavam a existência do Foro de São Paulo, todas estas denúncias não passam de calúnias e difamações da "extrema direita golpista". Segundo Rosinha, "o EPP pode não passar de um grupo imaginário montado pela direita para desestabilizar o governo Lugo".
Entretanto, vejam o que diz o site "América economia" a respeito do EPP:
"O EPP seria o quarto grupo armado em atividade na América do Sul, depois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e Exército de Libertação Nacional (ELN), além do peruano Sendero Luminoso.
O EPP estaria integrado por aproximadamente uma centena de pessoas, das quais umas 20 formariam o grupo operacional com treinamento em combate, que se encontram escondidos nas densas matas da região. As demais ofereceriam apoio logístico e refúgio.
O grupo, considerado pelas autoridades locais como um bando de delinqüentes comuns, adotou sua atual denominação há alguns anos, após o assalto a um estabelecimento agrícola onde queimaram maquinarias. Alguns de seus membros participaram de outros seqüestros, roubos e ataques a policiais desde 1997".
Não dá para engolir a farsa de que este deputado desconheça estes fatos! Para eles as FARC não são terroristas, o Foro de São Paulo não existe, os computadores de Raúl Reyes são invenção da CIA e Oliverio Medina não é o embaixador das FARC no Brasil, mas um padre perseguido pela maldade do presidente Uribe. E isto é agir de má-fé calculada, não ignorância ou ingenuidade.
E para completar a "espiral do silêncio" e o desapego total à Justiça e à Verdade, uma notícia publicada numa acanhada notinha - e que não mereceu nenhuma consideração - do jornal "O Globo" de 3 de março pp., dava conta de que um juiz da comarca do Rio de Janeiro havia condenado Cesare Battisti a dois anos de prisão domiciliar e a prestar "serviços comunitários" por uso de passaporte falso no país. Quer dizer, com esta medida estende-se o prazo de permanência deste terrorista no Brasil por pelo menos dois anos fora da cadeia, tempo suficiente para seu julgamento no STF cair no esquecimento e o presidente brasileiro negar o pedido de extradição sem que o povo tome conhecimento, uma vez que todos os olhos e ouvidos estão voltados para as eleições presidenciais.
Num país que tem uma aberração chamada "Comissão de Justiça e Paz" comandada por comunistas conchavados com terroristas, é natural que marginais de todos os países sintam-se bem protegidos e seguros de que nada lhes irá acontecer que contrarie suas vontades e a de seus bandos delinqüenciais. E, paraíso de terroristas como no Brasil, só mesmo na Venezuela, mas isto já é tema para outro artigo.

Notas:

[1]Para conhecer toda a trama a respeito dos acobertamentos dados a terroristas pelo Brasil, leiam também "Brasil: Paraíso de terroristas" de minha autoria.
[2] De acordo com as determinações do CONARE, uma das condições para receber o status de "refugiado político" é que o candidato se abstenha totalmente de dar declarações públicas sobre questões políticas. E apesar de viverem "monitorados pela PF e ABIN", segundo o ministro da Justiça, não é bem o que faz o terrorista Juan Arrom, pois em maio de 2007 ele emitiu um comunicado como Secretário Geral do Partido Pátria Libre, (quer dizer, mesmo vivendo no Brasil já como cidadão protegido pelas leis brasileiras, ele continuou sendo o principal articulador do partido ao qual "pertenceu") ao bando argentino "Quebracho", em solidariedade aos dirigentes deste grupo que foram detidos pela Justiça argentina. No comunicado ele "exige" o fim da "perseguição política de Esteche e Raú 'Boli' Lezcano, detidos pela Justiça argentina por destruir um local partidário de Sobisch, em protesto pelo assassinato do docente neuquino Carlos Fuentealba". Confiram aqui: http://www.diarioperfil.com.ar/edimp/0465/articulo.php?art=21440&ed=0465.
[3] A reportagem foi feita em 2005, portanto, esse valor do aluguel deve ter, no mínimo, dobrado de valor.
[4] "Exército Paraguaio do Povo", "Exército do Povo Paraguaio" ou "Exército Revolucionário do Povo", são todas denominações do mesmo bando terrorista que se assume "comunista marxista-leninista", cujo objetivo é o mesmo das FARC, embora como todos os demais neguem qualquer relação com os terroristas colombianos, ditos pela boca de Carmen Villalba que se auto-denomina "porta-voz" do bando. Leiam a entrevista que ela concedeu em 2008, ao site "Ultima Hora": "Ejército Paraguayo del Pueblo ya incursiona militarmente".

domingo, 2 de maio de 2010

Minc Mico

Mas esse Minc é um mico mesmo. Olha que coisa linda!! Imagem singela essa. Como se a maconha fosse a coisa mais natural do mundo. Quem disse que legalizando essa droga vai diminuir o consumo? Quem será que vai ser o fornecedor oficial da ervinha? Simples, quem já as trafica, isso nada mais é que legalizar traficantes que já fornecem a porcaria da maconha!!!! Só não vê quem não quer ou é cego. Querem fundar as FARC SA...

01/05/2010 - 19h32 

Minc critica "guerra às drogas" em passeata no Rio

Daniel Milazzo
Especial para UOL Notícias
No Rio de Janeiro
 
O deputado estadual (PT-RJ) e ex-ministro do meio ambiente Carlos Minc criticou a "guerra às drogas, na tarde deste sábado, durante uma passeata pacífica em prol da legalização do consumo e cultivo da maconha.
A manifestação aconteceu na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, Rio de Janeiro, e contou com 3.000 pessoas, segundo a organização do evento. A Polícia Militar estima 1.500.
Liderados por um carro de som e pelos trompetes e saxofones da banda Orquestra Verde, os participantes seguiram do Jardim de Alah até o Arpoador. “Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor” foi um dos gritos mais repetidos pelo grupo. “Ei, polícia, a maconha é uma delícia” também foi ouvido diversas vezes na avenida.
“A política de drogas atual não é democrática, não é preventiva, não é eficiente", declarou Minc durante a marcha. "As pessoas não consomem menos drogas, os traficantes não estão menos poderosos”.
“A maconha pode ser legalizada e o consumo ser descriminalizado. São essas políticas que enfraquecem os traficantes”, completa o deputado.
Para o sociólogo Renato “Cinco” Athayde, um dos organizadores da passeata, a proibição do consumo e cultivo da maconha é uma política defasada. “Nós apoiamos a legalização, e não a liberação. São coisas diferentes. Legalização pressupõe regularização. É a descriminalização, com o objetivo de restabelecer o controle. Os recursos usados nesta guerra brutal contra o tráfico podem ser melhor aplicados, como na prevenção do vício, na redução de danos, do tratamento dos viciados”, argumenta.
A maioria dos participantes da marcha era adulta, mas alguns idosos e até crianças também estavam lá. “É a luta contra a ignorância. A maconha é uma planta como qualquer outra e a gente tem que tem o direito de fazer o que quiser com ela, desde que não cause mal a ninguém”, opina Felipe Viana enquanto caminhava com seu filho carregado no ombro.
Cerca de 40 policiais garantiram a segurança do evento, que transcorreu sem maiores incidentes. O único registro de ocorrência foi o flagrante de um jovem que pichava um banco no canteiro central. Ele foi retirado da passeata pela polícia e teve seu material apreendido.
 

terça-feira, 27 de abril de 2010

Reflexão sobre a história da GRIPE A


CAMPANAS - OS SINOS DOBRAN PELA GRIPE A - PORTUGUÉS from ALISH on Vimeo.

TERESA FORCADES, doutora em Saúde Pública, faz uma reflexão sobre a história da GRIPE A, dando informações científicas e enumerando as irregularidades envolvidas no assunto.

Explica as consequências da declaração de PANDEMIA e suas implicações políticas. Além disso, faz uma proposta para manter a calma, convocando-nos a ativar urgentemente os mecanismos legais e de participação cidadã relacionados ao tema.

Nossos profundos agradecimentos às pessoas que colaboraram desinteressadamente na tradução e revisão dos textos em português do Brasil.

Marise Carvalho, do Rio de Janeiro
Darley Farias Oliveira, de Porto Alegre
Darlou Farias Oliveira, de Porto Alegre
Vicente Rockenbach, de Porto Alegre

deputado federal Jair Bolsonaro diz algumas verdades

Fonte: http://www.midiasemmascara.org/

O deputado federal Jair Bolsonaro diz algumas verdades sobre a contra-revolução de 1964, ataca a armadilha totalitária do PNDH-3, e ressalta a aliança entre as FARC, Fidel Castro e o PT.

 

domingo, 25 de abril de 2010

Um pouco de pedagogia: resposta a um comentário sobre homofobia

 
Definição gayzista de homofobia
@ Sérgio Vitorino
O que é homofobia? Para falarmos das coisas temos que as definir primeiro. O gayzismo ou o movimento político homossexual tem a grande preocupação em não definir conceitos para que os epítetos, rótulos e slogans possam ser utilizados de uma forma flexível e em todas as situações. “Homofobia” é “pau para toda a colher”.
Homofobia é definida como “o medo irracional em relação aos homossexuais”.

Está implícita na definição supracitada a noção de “medo racional” em contraponto ao “medo irracional”. Por exemplo, quando uma ameaça à nossa integridade física, psicológica ou moral, é real, o nosso “medo” deixa de ser irracional para ser racionalizado e consciente. Pelo contrário, quando o medo é irracional, ele subsiste apenas a nível do subconsciente ou mesmo do inconsciente, e portanto não é racionalizado.
Quando uma emoção é racionalizada, passa a ser um “sentimento”. Quando uma emoção permanece no subconsciente ou no inconsciente, é instintiva ou um “complexo”. Por exemplo, um “sentimento de culpa” não é a mesma coisa que um “complexo de culpa”; o primeiro foi racionalizado e é consciente, e o segundo mantém-se irracional ou instintivo.
A partir do momento em que uma emoção é racionalizada, ela pode ser analisada ou escrutinada pelo juízo. Por exemplo, a noção de “inteligência emocional”, parecendo um paradoxo, é racional na medida em que as emoções são sujeitas ao escrutínio do juízo. Através da inteligência emocional, os aspectos éticos, morais, culturais e práticos de uma determinada situação existencial são analisados à luz da razão que julga em função de valores. Podemos colocar em causa os valores que estão subjacentes ao juízo, mas isso dava outro postal.
Se dermos como correcta a definição, e se a homofobia é “o medo irracional em relação aos homossexuais”, quem racionalizou esse “medo” não é homófobo. O mais que essa pessoa pode ser é preconceituosa.
Porém, todos nós temos preconceitos: não existem super-homens. Os preconceitos podem ser positivos ou negativos: os primeiros são aqueles que se abrem à discussão pública, e os segundos são aqueles que se fecham em doutrina política ou mesmo em dogma.
Quando a palavra “homófobo” é utilizada para o ataque liminar ad Hominem — por exemplo: “você não tem razão porque é homófobo; além disso, você tem o nariz grande, e por isso de modo nenhum pode ter razão naquilo que defende” —, o movimento político gayzista instituiu uma forma de preconceito negativo porque não é, à partida, passível de ser discutido. O adjectivo “homófobo” passou a ter uma força política equivalente à do “herético” inquisitorial na Alta Idade Média. O homófobo é uma espécie de herético moderno actual, alguém que tem que ser (metaforicamente) queimado numa fogueira sem discussão prévia e em nome de uma doutrina política dogmática ou de um preconceito negativo.
Através da utilização preconceituosa e em sentido negativo do adjectivo “homófobo”, o movimento político gayzista pretende que a sociedade passe a ser homófila. A homofilia consiste na “aceitação moral e cultural do acto homossexual”. A aceitação da homofilia pode ser consciente ou inconsciente, mas o que o gayzismo pretende é que ela seja generalizada e imposta coercivamente (pela força da lei) a toda a sociedade.

A briga que ninguém quer comprar

Chamar isso, como a mídia o chama, de "pedofilia epidêmica", é evidentemente uma fraude, mas como pode a população percebê-lo se não tem acesso a outro critério comparativo senão aquele que lhe é fornecido pela própria mídia segundo o recorte de uma agenda politicamente interesseira?

Em cada momento do tempo, o estado geral de uma sociedade é indicado por uma série de fatores que podem ser medidos e comparados, como por exemplo a renda média, a criminalidade, o aproveitamento escolar, o número de casamentos e divórcios, etc.
A comparação entre esses fatores permite avaliar a importância relativa de cada fato -- ou série de fatos -- no conjunto da vida social. Por exemplo, o número de crimes e de vítimas, distribuído entre várias regiões, grupos sociais e faixas etárias. O conhecimento geral desse quadro desperta na população o senso das proporções que servirá de régua para medir a credibilidade das opiniões circulantes. Acima das preferências pessoais e grupais, o núcleo factual conhecido por todos é o tribunal de última instância no qual as idéias e propostas serão julgadas conforme sua adequação ou inadequação à realidade.
Ora, só há um canal por onde o conhecimento do quadro geral pode chegar à população: a mídia. O desempenho normal e saudável dessa função pelos jornais depende não somente de que eles divulguem os fatos, mas de que os selecionem e lhes confiram destaque maior ou menor conforme a sua importância real naquele quadro comparativo, de modo que os focos de atenção popular se hierarquizem segundo a importância objetiva dos fatores.
Em toda sociedade há um determinado número de estudiosos que têm acesso a fontes diretas e não dependem da mídia popular para formar sua visão das coisas. Para a população em geral, no entanto, vigora uma espécie de movimento circular: a constância e o destaque com que os fatos são noticiados na mídia tornam-se o padrão de aferição para o julgamento dos fatos subseqüentes divulgados pela mesma mídia. Em suma: a mídia cria sua própria regra de credibilidade, não havendo, para o grosso da população, nenhum outro quadro de referência pelo qual essa credibilidade possa ser julgada.
Até os anos 50-60, cada órgão de mídia neste país, malgrado a multiplicidade de interesses a que devia atender, mantinha-se razoavelmente submisso à ordem objetiva dos fatores, por saber que exageros ou distorções muito visíveis seriam, no dia seguinte, desmascarados por seus concorrentes. Até certo ponto, a imagem geral da sociedade tal como aparecia nos jornais coincidia com o quadro quantitativo real: o que merecia destaque e cobertura continuada era aquilo que, na vida social, tinha alguma importância objetiva.
Quatro fatores contribuíram para libertar a mídia nacional desses escrúpulos de realismo.
O primeiro foi a solidariedade maior entre as empresas, forjada durante o regime militar para a defesa comum contra as imposições do governo. As denúncias mútuas de fraude e de mau jornalismo desapareceram quase que por completo, colocando cada empresa jornalística na posição confortável de poder mentir a salvo de represálias dos concorrentes. Na mesma medida, a disputa de mercado praticamente cessou, distribuindo-se os leitores mais ou menos equitativamente entre as maiores publicações.
O segundo foi a diversificação das atividades lucrativas das empresas jornalísticas, que passaram a depender cada vez menos da aprovação dos leitores. A prova máxima dessa transformação é que essas empresas se tornaram formidavelmente mais ricas e poderosas sem que a tiragem de seus jornais aumentasse no mais mínimo que fosse. Com a escolaridade crescente, o número de leitores potenciais subiu de ano para ano, mas os maiores jornais brasileiros não vendem, hoje em dia, mais exemplares do que nos anos 50. É um fenômeno único no jornalismo mundial.
Em terceiro lugar, a obrigatoriedade do diploma universitário promoveu a uniformização cultural e ideológica da classe jornalística, de modo que já não há diferenças substantivas entre os climas de opinião nas várias redações de jornais e revistas. Na homogeneidade geral, as exceções individuais tornam-se irrelevantes.
Por último, as influências intelectuais que vieram a dominar as faculdades de jornalismo, deprimindo a confiança nos velhos critérios de objetividade e enfatizando antes a função dos jornalistas como "agentes de transformação social", acabaram transmutando maciçamente as redações em grupos militantes imbuídos de uma agenda político-cultural e dispostos a implementá-la por todos os meios. Por isso é que, de milhares de profissionais de mídia que ocultaram a existência do Foro de São Paulo por dezesseis anos, só um, um único, mostrou algum arrependimento. Os outros, inclusive os autonomeados fiscais da moralidade jornalística alheia, preferiram, retroativamente, ocultar a ocultação - e não perderam um minuto de sono por isso.
Some-se a tudo isso um quinto fator, de dimensões internacionais: o tremendo desenvolvimento, nas últimas décadas, das técnicas de engenharia social e da sua aplicação pelos meios de comunicação.
Quem pode impedir que empresas mutuamente solidárias, libertas até mesmo do temor ao público, tendo a seu serviço uma massa bem adestrada de "transformadores do mundo" e um conjunto de instrumentos de ação tão discretos quanto eficientes, mandem às favas todo senso objetivo das proporções e se empenhem em criar uma "segunda realidade", uma nova ordem dos fatores, totalmente inventada, legitimando de antemão qualquer nova mentira que lhes ocorra distribuir amanhã ou depois?
Nessas condições, toda presunção de "objetividade jornalística", personificada ou não nessa moderna versão do bobo-da-côrte que é o ombudsman, tornou-se hoje apenas um adorno publicitário sem qualquer eficácia real na prática das redações.
O total desprezo pelos critérios quantitativos de aferição da importância das notícias tornou-se, portanto, a norma usual e corriqueira em todas as maiores publicações. Não havendo padrão de medida exterior pelo qual o jornalismo possa ser julgado, os jornais passaram a viver de um noticiário autofágico e uniforme, publicando todos as mesmas coisas, com igual destaque, e confirmando-se uns aos outros no auto-engano comum.
Não há um só jornal ou grande revista, por exemplo, que gradue o destaque dado à denúncias de padres pedófilos pelo exame comparativo de casos similares em outros grupos sociais. Esse exame mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos é muito, muito menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade humana, embora o destaque dado na mídia a esses casos induza a população a crer o contrário. Em artigo recente, o sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num periodo de várias décadas, apenas cem sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto seis mil professores de educação física sofriam condenação pelo mesmo mesmo delito. Introvigne citou os professores de educação física apenas como grupo-controle. Poderia ter mencionado dezenas de outros: no conjunto, os casos de padres pedófilos revelariam ser as raridades que são, contrastando dramaticamente com a disseminação alarmante do crime de pedofilia na sociedade em geral. Eu mesmo, examinando as estatísticas alardeadas pela campanha anticlerical na Irlanda, e tirando delas as conclusões aritméticas que os autores do documento maliciosamente se recusavam a tirar, mostrei que, em cada escola católica daquele país, ocorrera não mais de um caso de pedofilia a cada dezesseis anos. Chamar isso, como a mídia o chama, de "pedofilia epidêmica", é evidentemente uma fraude, mas como pode a população percebê-lo se não tem acesso a outro critério comparativo senão aquele que lhe é fornecido pela própria mídia segundo o recorte de uma agenda politicamente interesseira?
Mutatis mutandis, o número e a gravidade das ocorrências entre os Legionários de Cristo - mesmo sem contar as peculiaridades organizacionais que destaquei no meu artigo anterior -- são tão maiores que os dos casos registrados em qualquer outra instituição católica, que tratar delas sem sublinhar a diferença, antes reduzindo-as a exemplos de "pedofilia católica" como quaisquer outros, é falsificar por completo a visão dos fatos.
Uma coisa é a realidade da vida social, outra a sua imagem na mídia e nos debates públicos. A segunda pode estar muito deslocada da primeira, fazendo com que a atenção pública se aliene da realidade ao ponto de a população tornar-se incapaz de compreender o que está acontecendo. O deslocamento completo assinala um estado de psicose social.
Massimo Introvigne tem razão ao dizer que a campanha contra a Igreja Católica sob o pretexto de denúncias de pedofilia é um caso de "pânico moral". Mas a sociologia só lida com fatores gerais, impessoais, anônimos. Não lhe cabe rastrear origens históricas, nem sondar o coeficiente de premeditação e planejamento criminoso na produção desses fenômenos. Só a investigação histórica, judicial e, é claro, jornalística, pode elucidar esse ponto e identificar os culpados por uma das campanhas caluniosas mais vastas e pérfidas de todos os tempos. Hoje há documentação suficiente para isso. O que falta, inclusive na Igreja Católica, é vontade de comprar essa briga.

Publicado no Diário do Comércio de 12 de abril de 2010.

sábado, 24 de abril de 2010

Imprensa "conservadora"? Censura nela

por Redação Mídia@Mais em 26 de março de 2010 Opinião - Mídia em Foco

Folha de S. Paulo. Indo fundo no esquerdismo chapa-branca e politicamente correto
Qualquer pessoa com o mínimo de informação sabe que a grande imprensa no Brasil é pautada pelo esquerdismo: seus dirigentes adoram agradar a esquerda, seus jornalistas são esquerdistas por formação, o material que ela republica vem dos grandes jornais internacionais de inspiração esquerdista. Mas, mesmo assim, a esquerda não está satisfeita. Talvez seja por esse fato que a Folha de S.Paulo se supera, a cada domingo, produzindo edições ainda mais esquerdistas.
Na edição do dia 21 de março, havia expressões do esquerdismo para todos os gostos:

1-Quem vê no antiamericanismo a forma mais genérica de esquerdismo deve ter adorado ler, entre os editoriais da casa, o texto "Irã: Lula não deve ceder à pressão dos EUA", de um tal Mark Weisbrot, do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Washington, EUA). O autor defende Lula por contrapor os americanos na questão iraniana. Sobre o anti-semitismo convicto do líder iraniano e de boa parte da elite governante desse país, o articulista usa um argumento que serviria para defender uma aproximação do Brasil com a Alemanha nazista, por exemplo: Lula condenou as insinuações sobre o Holocausto, e isso bastaria - O Irã está livre em todo o resto. (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2103201009.htm)

2-O esquerdista mais clássico, mais afeito às tradições, deve ter adorado o texto do dublê de crítico de cinema e cronista esportivo José Geraldo Couto, no caderno cultural "Mais". Ele defende, no texto, os atletas do Flamengo em relações cada vez mais íntimas com traficantes no Rio de Janeiro. Para ele, o fato de um deles ser escoltado por traficantes armados até os dentes durante uma "festa no morro" só causa repulsa perante a sociedade por causa da "luta de classes". Para ele, é preciso relativizar esse fato: talvez nem sempre os traficantes armados sejam "bandidos", e as pessoas desarmadas que pagam seus impostos sejam "gente de bem". Condenar os jogadores e suas belas amizades seria mero preconceito burguês. Couto desconsidera o evidente fato de que as metralhadoras dos traficantes servem especialmente para oprimir os moradores pobres das favelas, ao mesmo tempo em que protegem as celebridades desmioladas que sobem o morro. (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2103201006.htm)

3-E finalmente àqueles que enxergam no esquerdismo a resposta a todas as angústias e que vêem na defesa das minorias uma reedição aprimorada da luta de classes, o texto da grande cantora Vange Leonel (Revista da Folha), "Ditadura Gay", dá risada dos que se opõem às leis que pretendem privilegiar alguns brasileiros em relação aos outros por causa de seus hábitos sexuais e ainda defende as "feministas comunistas" (obviamente...), para ela as grandes responsáveis pela melhoria das condições de trabalho dos operários e operárias de todo o mundo (a cantora evidentemente não explica por que os trabalhadores dos países capitalistas sempre tiveram condições de vida, de trabalho e de liberdades civis infinitamente melhores que as de seus colegas em países comunistas, mas deixa para lá).

Fica difícil compreender por que a Confecom propõe controle para a grande imprensa. Por que tanto trabalho? É só esperar mais alguns anos, e certamente a autocensura e a doce entrega da imprensa ao esquerdismo já terão tornado a censura completamente desnecessária.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cegueira Ética e Moral ou Militância é um câncer em qualquer dos lados

Fonte: http://antiforodesaopaulo.blogspot.com/2010/04/cegueira-etica-e-moral-ou-militancia-e.html

 

Cegueira Ética e Moral ou Militância é um câncer em qualquer dos lados


Escrevi dois posts abaixo, sobre minha insatisfação com a polarização da campanha em torno dos dois embustes na foto acima.
São mais quatro anos perdidos para o Brasil.
Queime-se a democracia!
E pior, os que bradam por democracia dos 2 lados são igualmente fundamentalistas e ignorantes direta ou indiretamente.
Já cansamos de bater nos Petralhas e na Dilma, mas a "militância" em torno do PSDB não fica atrás.
Minha percepção à respeito se tornou perfeitamente clara, à partir do momento em que escrevia comentários não apoiando Serra, e dizendo que ele também não é a solução para este Brasil tão vilipendiado por pelo menos 16 anos desta esquerda podre.
Estes comentários nunca foram publicados, ou seja, rejeitados pelos blogueiros mais "top" do lado do "bem" (Serra), sejam Reinaldo Azevedo e Coronel do Coturno Noturno.
Nutri por muito tempo admiração pelos escritos deste blogueiros, mas na hora "H", não se diferenciaram dos PTralhas, no que se refere à verdadeira democracia. Essa militância é tão cega e burra que torna-se uma "paixão futebolística" comparável aos mais chatos e ignorantes torcedores fanáticos de times de futebol.
Cada vez mais me afasto disto tudo.
Este processo eleitoral de 2010 chega a ser nojento, vil, anti-democrático, baseado na luta entre "nós e eles". E onde estou eu, se não sou nem "nós" e nem "eles"?
Estou do lado do Brasil, do lado do Estado Democrático de Direito e dos brasileiros de bem. Trabalho com extrema honestidade, de forma simples, porque assim meu pai me ensinou, e não por que tem "alguém olhando".
Este sempre será meu caminho, e se necessário for, em outubro, cometerei uma coisa que jamais imaginava que pudesse fazer: Votar nulo!
Não por protesto, não por birra, não por qualquer outro motivo, que não a PURA FALTA DE OPÇÃO em quem depositar confiança de mais 4 anos para a República.
Fora PT!
Fora PSDB!

La historia de Dilma Rousseff y su pasado como "guerrillera" en Brasil

Fonte: http://diario.latercera.com/2010/03/08/01/contenido/8_25938_9.html

 La ministra de Lula y candidata del oficialismo a la Presidencia formó parte de los grupos armados que lucharon contra el régimen militar a fines de los 60. Antes de ser apresada y torturada, estuvo en un campo de entrenamiento clandestino en Uruguay.

 

En 1964, cuando se produjo el golpe militar en Brasil, Dilma Rousseff -ministra y candidata presidencial del Partido de los Trabajadores (PT) de Luiz Inácio Lula da Silva- tenía 17 años y acababa de comenzar a estudiar Ciencias Sociales en el Colegio Estadual Central de Belo Horizonte. Y poco después comenzó a militar en un grupo marxista que se alzó en armas contra la dictadura, acción que le costó tres años de cárcel y ser torturada. "¡Nunca más viviremos en una jaula o una prisión!", dijo hace dos semanas Rousseff, en un acto masivo del PT. La frase generó cierta sorpresa, ya que la jefa de gabinete del gobierno brasileño no suele referirse con frecuencia a su pasado. Rousseff inició su militancia en la Organización Revolucionaria Marxista Política Operaria, conocida como Polop. En medio de esas actividades, Rousseff conoció a Claudio Galeno, quien había estado preso y que pronto se convirtió en su esposo.
Se ha afirmado que Galeno fabricaba bombas, lo que él ha matizado: "Fabriqué cajas con dispositivos electromagnéticos para guardar documentos secretos. La idea era que si la caja se abría, explotaba". La pareja se casó en 1967. Rousseff tenía 19 años y él 25. Se mudaron al departamento que ella heredó de su padre -un abogado búlgaro de pasado comunista-, inmueble que terminó convirtiéndose en una suerte de sede de actividades rebeldes. Ese mismo año el Polop pasó a llamarse Comando de Liberación Nacional (Colina) y el matrimonio pasó a la clandestinidad.
"Wanda"
Rousseff vivió en diversas ciudades, adoptó pseudónimos, como "Wanda", "Marina" o "Luiza", y puso fin a su relación con Galeno. En 1969 participó en reuniones secretas en Sao Paulo y Río de Janeiro, mientras que Colina se fusionó con otros bloques para formar la guerrilla urbana Vanguardia Armada Revolucionaria Palmares (Var-Palmares).
De acuerdo con el diario Folha de Sao Paulo, fue en esta época cuando Rousseff fue enviada a un campo de entrenamiento militar en Uruguay, algo que la ministra ha reconocido recientemente. También participó en operaciones para "recaudar fondos" y en un intento de secuestro del entonces titular de Hacienda Delfim Netto, algo que ella desmiente. Según la revista Veja, Rousseff coordinó en 1969 el asalto contra el gobernador paulista Adhemar de Barros, a quien la guerrilla le robó US$ 2,5 millones que tenía en la casa de su amante.
Sin embargo, el 16 de enero de 1970, en Sao Paulo, Rousseff fue apresada durante un encuentro con un "compañero", quien había sido detenido de manera previa y que había sido obligado a ir a la reunión con "Dilminha". Rousseff fue interrogada durante 45 días, período en el cual fue torturada. Posteriormente, pasó casi tres años tras las rejas luego de ser condenada por un tribunal militar.
Hasta ahora la ministra ha negado haber participado en acciones armadas y secuestros de manera directa, aunque la prensa brasileña mantiene sus dudas. Al ser liberada, a fines de 1972, un militar le advirtió: "Si haces algo vas a morir con la boca llena de hormigas".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma visão ainda mais liberal

Revista Veja

 Edição 2161

Economia

Uma visão ainda mais liberal

Crise do excesso de liberalismo? Não para os seguidores da Escola Austríaca, que acusam o governo americano de ter inflado a bolha financeira


Igor Paulin, de Porto Alegre
Fotos Kevin Lamarque/Reuters e Divulgação
CONTRA A MARÉ
Os economistas da Escola Austríaca, reunidos em Porto Alegre (à dir.), atribuem a crise a falhas do governo, como os juros baixos demais de Alan Greenspan

Há dois anos, uma crise inaudita eclodiu nos Estados Unidos e arruinou as finanças de países inteiros. Críticos de esquerda regozijaram-se pelo abalo de um dos pilares do capitalismo, o livre mercado, e culparam a cobiça desenfreada de banqueiros pelo crash. Já os economistas do mainstream, representantes do consenso capitalista que administra os países mais maduros do planeta, reconheceram que houve falhas, como a ausência de um sistema regulatório mais eficiente para controlar fraudes e a especulação predatória. Apesar da vala mental que separa essas duas visões de interpretar o mesmo fenômeno, ambas convergiram na prescrição do remédio destinado a combater a recessão mundial. Recomendaram, em doses distintas, a ampliação da presença do governo, pelas vias do aumento dos gastos públicos, e também o acirramento da regulação financeira. Entretanto, há quem pense de forma diferente. Trata-se dos economistas da Escola Austríaca, uma corrente coesa de ultraliberais que exonera os propagandeados vícios do capitalismo dessa história. Segundo eles, foram na verdade as intervenções do governo que proporcionaram a crise. Mais do que isso, acreditam que o remédio que tem sido usado pelos governos mundiais, sobretudo o despejo de somas maciças de recursos estatais, é inadequado e trará mais problemas no futuro.
Na semana passada, o Instituto Ludwig von Mises, que congrega adeptos dessa corrente, realizou em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o I Seminário de Economia Austríaca do Brasil. Em dois dias, foram debatidos os acontecimentos recentes da economia mundial, assim como o receituário heterodoxo e radical desses pensadores. Embora centenária e influente no passado, essa escola esteve, nos últimos anos, à margem do pensamento dominante. No século XX, os seus dois teóricos mais proeminentes foram Ludwig von Mises (1881-1973) e o ganhador do Nobel Friedrich von Hayek (1899-1992). Ambos tiveram papel notável na exposição das fragilidades intrínsecas do planejamento econômico e na condenação do socialismo, num momento em que boa parte da intelligentsia mundial via com fascínio o avanço soviético. Os escritos de Mises e Hayek acabaram por inspirar as reformas liberais que começaram nos anos 80. Agora seus seguidores propõem uma recuperação dessas ideias para oferecer uma alternativa em relação ao novo consenso que se forma no mundo pós-crise.
"A crise que vivemos hoje teve início com políticas do governo que levaram à formação de uma bolha especulativa no mercado imobiliário", sentencia o historiador Thomas Woods, autor do best-seller Meltdown, sobre o recente crash. Para Woods e seus colegas, isso pode ser comprovado por causa do papel que tiveram as empresas de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac. Embora privadas, elas tinham um status privilegiado, porque dispunham de uma linha de crédito especial do governo para estimular a venda de casas a pessoas de baixa renda. Juntas, detinham 75% das hipotecas dos americanos. A política de estimular a venda de casas para quem não possuía a menor condição de assumir os compromissos de um financiamento imobiliário foi potencializada pelos juros extremamente baixos. Quando Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), estava no comando, a taxa básica permaneceu abaixo da inflação por mais de dois anos. A facilidade de adquirir um imóvel incendiou a demanda e os preços subiram rapidamente. Entre 1998 e 2006, as casas americanas ficaram 150% mais caras. Mais tarde veio a onda de calotes, e os preços desabaram. Para os austríacos, tanto os subsídios como os juros baixos demais foram erros que só podem ser atribuídos ao governo. "Os preços estavam fora da realidade. Criou-se uma prosperidade artificial e insustentável", diz o economista americano Mark Thornton, especialista em bolhas financeiras. O setor imobiliário foi ao chão e arrastou consigo o mercado financeiro. "Não fossem as investidas do governo, nada disso teria tomado as atuais proporções. Por isso dizemos que essa crise é do intervencionismo, e não do liberalismo", conclui Woods.
Contrariados com o avanço da mão estatal, os austríacos veem riscos adiante para a economia mundial. Para eles, os pacotes de auxílio do governo para recuperar a economia repetirão os erros do passado. Avaliam que a nacionalização de empresas quebradas (como ocorreu com a Fannie Mae e a Freddie Mac), o socorro aos bancos e o aumento do endividamento prolongarão a agonia, apesar do efeito de alívio momentâneo. "De onde sairá o dinheiro para arcar com tudo isso? Não existem muitos caminhos além do aumento de impostos e da impressão de mais moeda", diz Lew Rockwell, fundador do Instituto Mises. "Não se pode aceitar um liberalismo pela metade. É inadmissível entregar ao estado o controle da economia. Os interesses de um governo são sempre políticos. Quando esses interesses interferem nos caminhos do mercado, desencadeiam crises", afirma Rockwell. Durante os dois dias de seminários em Porto Alegre, tradicional sede de encontros de esquerda, como o Fórum Social Mundial (cujo lema é "Um outro mundo é possível"), os ultraliberais austríacos alardearam a ideia de que um novo mercado é possível.
Fotos Team/Alinari/Other Images e divulgaçã
RELEGADOS
Mises (acima) e Hayek: influentes na condenação do socialismo,
agora no ostracismo

 

Entrevista Sérgio Besserman Por um Rio sem favelas

Fonte: Revista Veja

Edição 2161

 

 

O economista diz que o inchaço dos morros cariocas
foi produzido pelo populismo e defende a remoção dos
barracos como um indutor do progresso para todos


Monica Weinberg e Ronaldo Soares
Oscar Cabral
"A favela virou um grande negócio para políticos populistas, que trocam dentadura por votos e se perpetuam no poder"

Poucos especialistas falam com tanta autoridade sobre a favelização nas metrópoles brasileiras quanto o economista carioca Sérgio Besserman, 52 anos. As últimas estatísticas disponíveis sobre as favelas no país foram produzidas sob sua gestão (1999-2002) como presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Suas opiniões sobre o assunto dão aquele banho de racionalidade que costuma desconcertar o senso comum. Besserman sustenta que retirar os barracos dos morros no Rio de Janeiro é uma solução que, se implementada, vai trazer ganhos econômicos e sociais para toda a população. Diz ele: "A questão precisa ser discutida com rigor lógico, a salvo das influências de ideologias e do romantismo".
A prefeitura e o governo do estado do Rio de Janeiro começaram, na semana passada, a retirar barracos de áreas de risco. Por que nenhum governante fez isso a tempo de evitar tragédias?
Por um misto de incompetência e demagogia. No Rio de Janeiro, a remoção de favelas passou a ser um grande tabu, sustentado por um assistencialismo barato segundo o qual o estado deve prover tudo aos pobres dos morros - ainda que sua permanência ali possa pôr a própria vida em risco e acarretar prejuízos à cidade como um todo. A ideia absurda embutida nesse raciocínio é a de que quem vive em favela é um cidadão especial, que não precisa se submeter nem à Constituição e não tem os mesmos deveres dos outros brasileiros. Sob essa ótica obtusa, remover favelas é visto como uma afronta aos direitos dos mais necessitados. Essa bobagem demagógica tem suas raízes no populismo que há décadas contamina a política fluminense. O inchaço das favelas do Rio é resultado da combinação desses fatores.
Como o populismo contribuiu para a proliferação das favelas?
Historicamente, ele foi a mola propulsora das favelas fluminenses, tendo como seu principal expoente o governador Leonel Brizola, na década de 80, quando se chegou ao auge de proibir a entrada de policiais nas favelas. O resultado foi um surto de ocupações irregulares. Sem polícia, foi dado o sinal verde para o banditismo. Sob o pretexto absurdo de que havia uma dívida social a ser quitada, foram concedidos aos moradores das favelas direitos inacessíveis aos demais brasileiros pobres ou ricos. Enquanto isso, os populistas iam esparramando nos morros seus currais eleitorais, ganhando votos em troca de tijolos, cimento, dentaduras e bicas-d’água. Isso explica a perpetuação dessa classe de políticos em uma sociedade que se pretende moderna. Eles e as favelas estão aí como símbolos do atraso. Quando alguém fala em remoção de barracos, são justamente eles os primeiros a levantar a voz contra. Claro, não querem perder seus currais eleitorais.
A quem mais interessam a perpetuação e o crescimento das favelas no Rio?
Os políticos são apenas os tentáculos mais visíveis de uma enorme rede de ilegalidades que sustenta milhares de pessoas. Prospera no Rio de Janeiro uma indústria da favelização. No braço imobiliário há, de um lado, os grileiros, que invadem terrenos para vender depois, e, do outro, pessoas de fora das favelas que constroem barracos e os alugam. Os bandidos dominam a vida nas favelas. Eles controlam o comércio de botijões de gás e vendem acessos clandestinos às redes de TV a cabo. Os bandidos cobram até uma taxa a título de oferecer proteção aos moradores. É grande, portanto, o grupo dos que lucram com a existência das favelas. Infelizmente, aos poucos a sociedade foi deixando de se espantar com essa aberração urbana, a despeito das atrocidades cometidas a toda hora em plena luz do dia por um estado paralelo.
Por que a aberração foi assimilada?
Isso se deve, em boa medida, a uma visão romântica e evidentemente deturpada sobre as favelas, que começou a ser propagada por parte da esquerda ainda nos anos 70. Essa corrente passou a difundir a ideia de que a convivência entre a cidade formal e o mundo da ilegalidade não apenas era aceitável como deveria ser pacífica. Acabou resultando numa glamourização da bandidagem. Nessa ótica distorcida, criminosos são tratados como líderes populares e toda e qualquer favela ganha apelido de comunidade, ainda que as pessoas vivam ali sob o jugo dos bandidos e à margem da lei. Isso tudo fez do Rio de Janeiro um péssimo exemplo de tolerância e benevolência com o mundo do crime no Brasil. Também não ajudou a combater o surgimento das favelas. Ao contrário: do ponto de vista cultural, só lhes deu legitimidade.
Como reverter a situação em um cenário em que a população das favelas cresce até quatro vezes mais rapidamente do que a da cidade como um todo?
É preciso fazer primeiro o básico do básico: o estado deve recuperar o monopólio da força nos territórios hoje dominados pelos bandidos. As favelas são lugares em que milhões de pessoas vivem sob outras leis que não a do estado de direito democrático. Na prática, elas não estão sob a órbita da Constituição brasileira. Essa ausência de poder público é um padrão que se dissemina também por outras regiões metropolitanas do Brasil, como São Paulo e Brasília - mas em nenhum outro lugar do país o estado deixou tamanho vácuo. Não é viável almejar uma democracia digna e condizente com os avanços do século XXI sem equacionar essa grande anomalia. O estado moderno surgiu, afinal, para garantir a segurança e a paz social. É justamente o oposto da brutalidade que grassa nas favelas do Rio.
O senhor considera a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas cariocas (em que os traficantes são expulsos e a polícia passa a ocupar permanentemente os morros) uma maneira eficaz de o estado retomar o controle dos territórios em questão?
Diria que o princípio não apenas é acertado como, daqui para a frente, o estado não tem mais o direito de retroceder dessa iniciativa. Finalmente, as autoridades entraram em algumas favelas e retomaram o poder, primeiro passo de um processo civilizatório que precisa continuar.
Por que a remoção de barracos é uma solução?
Em contradição com a opinião dominante, acho que há muitos casos em que a remoção se justifica. Antes de tudo, é preciso começar a tratar essa questão com a objetividade que ela requer, longe da sombra da ideologia e dos interesses escusos. Não há como discordar da ideia de que alguém que tenha seu barraco fincado sobre os restos de um antigo lixão, como é o caso de dezoito favelas no Rio, deve ser retirado imediatamente de lá. O mesmo vale para quem tem a casa espetada à beira de um precipício, em flagrante situação de risco. Até aí, prevalece um relativo consenso. No entanto é preciso ir além, encarando uma questão de fundo econômico que é central mas foi posta de lado no debate: as áreas favelizadas provocam uma acentuada degradação da paisagem da cidade, um ativo cujo valor é incalculável. Portanto, quando uma análise de custo-benefício revelar que a realocação de uma favela trará retorno financeiro e social elevado, por que razões não cogitar sua remoção?
Como exatamente a economia da cidade se beneficia de uma remoção?
A Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal da Zona Sul carioca, é um caso emblemático dos aspectos positivos que podem se seguir a uma remoção. Quando uma favela foi retirada dali, em 1970, os imóveis da região, cujos valores vinham sendo depreciados, inverteram a curva e passaram a se valorizar, aumentando a riqueza do bairro e da cidade, em benefício de todos. A riqueza é destruída no mesmo ritmo em que a favelização se alastra. Os mais pobres também perdem quando a riqueza deixa de ser criada ou é destruída. Os mais pobres são sempre os mais vulneráveis economicamente. Não tenho dúvida de que a política de remoção de favelas, que muitos ideólogos por aí definem como elitista, pode ser inclusiva, proporcionando mais benefícios do que prejuízos à maioria. O discurso da não remoção é um discurso antipobre.
Por que o estado chegou tão perto de remover certas favelas do Rio, mas acabou voltando atrás?
Além de toda aquela gente que se beneficia da indústria da favelização e faz pressão contra, a ação de pessoas bem-intencionadas também atrapalhou. Veja o que aconteceu no Morro Dona Marta, em Botafogo, outro endereço valorizado da Zona Sul. Na década de 60, quando ali havia uns poucos barracos, o governo anunciou que faria a remoção. Mas setores ligados à Igreja, sob a liderança do então bispo auxiliar do Rio, Dom Helder Câmara, se insurgiram. O resultado foi previsível. A resistência incentivou a vinda de mais e mais moradores, e o Rio perdeu mais uma vez.
O que fazer no caso daqueles morros que já atingiram dezenas de milhares de habitantes, como a Rocinha?
Feitas as contas, existe um consenso de que é muito mais simples e barato urbanizar essas favelas do que removê-las. A ideia central não é apenas prover os serviços nos moldes do velho assistencialismo, mas cobrar por eles, o que é natural com a inclusão dessas pessoas na economia formal da cidade. É preciso ter em mente que 1,3 milhão de habitantes do Rio pertencem ao mundo informal dos morros - o que representa um de cada cinco moradores. A entrada desse contingente na economia formal teria efeito muito positivo para a cidade. Isso depende da implantação de uma política habitacional séria, área em que os governos brasileiros em todos os níveis são tradicionalmente omissos.
Há algum sinal de melhora nesse cenário?
Do ponto de vista das políticas públicas, não houve nenhuma novidade relevante nos últimos anos. Mas é preciso reconhecer que o atual ambiente macroeconômico aumenta as chances de avanço. A começar pelo fato de que não existe mais aquele cenário de inflação galopante, que inviabilizava o acesso ao crédito imobiliário para todos os estratos de renda. Habitação é o tipo de demanda que não pode ficar insatisfeita: se o governo não tem uma boa política, as pessoas dão o seu jeito, como tem ocorrido nas favelas brasileiras desde a década de 50. Instalar-se nelas pode até ter sido uma solução boa individualmente para quem não tinha um teto sob o qual morar - mas para as grandes cidades em todo o país significou um verdadeiro desastre.
Como mensurar isso?
A experiência internacional mostra - e o caso brasileiro confirma - que a presença maciça de favelas afeta o ambiente de negócios e faz reduzir as chances de uma cidade competir globalmente. Está comprovado que um cartão-postal degradado e grandes áreas tomadas pela informalidade e pela violência são fatores decisivos para prejudicar a dinâmica econômica e afugentar investidores. Olhe o que está acontecendo no México, onde os cartéis da droga passaram a controlar grandes territórios e se tornaram um dos principais obstáculos ao aumento da competitividade do país. O Brasil ainda não chegou a esse ponto, mas caminhará para isso se não der fim ao controle territorial exercido por bandidos nas regiões metropolitanas.
Há perspectivas de que as favelas deixem de existir a longo prazo?
Para mim, a melhor de todas as definições de favela é a que a descreve como um território à margem das leis que regem o restante da cidade. Elas começarão a deixar de ser favelas quando o estado se livrar de seus vícios populistas paralisantes e derrotar a bandidagem que exerce poder efetivo sobre o cotidiano de milhões de brasileiros.

domingo, 18 de abril de 2010

Índia tem 100 milhões a mais vivendo abaixo da linha de pobreza

Quem diria, cada ano a Índia "cresce" mais economicamente e a população, ao contrário, se lasca mais.
Esses BRICs não estão com nada mesmo. Não adianta apenas ter dólares de monte na conta do governo se o Estado é um porcaria.
Por Bappa Majumdar e Abhijit Neogy
NOVA DÉLHI (Reuters) - A Índia tem atualmente mais 100 milhões de indianos vivendo abaixo da linha na pobreza do que em 2004, de acordo com estimativas oficiais anunciadas neste domingo.
O país conta agora com 410 milhões de pessoas vivendo abaixo dessa linha determinada pela ONU --gente que vive com uma renda de 1,25 dólar por dia.
A taxa de pobreza cresceu e atinge 37,2 por cento da população, contra 27,5 por cento de 2004, uma mudança que vai exigir que o governo gaste mais dinheiro com os pobres.
A nova avaliação chega semanas depois que Sonia Ghandi, líder do partido do Congresso, que governa o país, pediu ao governo para modificar uma Lei de Segurança Alimentar para incluir mais mulheres, crianças e pessoas necessitadas.
"A Comissão de Planejamento aceitou o relatório sobre a pobreza", disse Abhijit Sem, membro da Comissão de Planejamento, à Reuters, referindo-se ao novo relatório de dados da pobreza, apresentado por uma comissão do governo, em dezembro.
A Índia calcula a parcela da sua população que vive abaixo da linha da pobreza verificando se as famílias podem pagar uma refeição completa que inclui o mínimo das necessidades de nutrição por dia.
Não ficou totalmente claro quanto o governo federal precisará gastar na população pobre, já que isso vai depender da Lei de Segurança Alimentar, que será apresentada ao governo depois que as mudanças necessárias forem feitas, dizem as autoridades.
A Comissão de Planejamento da Índia vai se reunir com os secretários de alimentação e gastos, na próxima semana, para avaliar os aspectos financeiros do orçamento, dizem os funcionários do governo.
Acredita-se que um terço dos pobres do mundo se encontram na Índia, vivendo com menos de 2 dólares por dia, menos do que em muitas partes da África Subsaariana, dizem os especialistas.
O governo indiano gasta apenas 1 por cento do seu PIB em instalações de saúde pública, forçando milhões de pessoas a lutar para conseguir remédios, segundo o relatório que a Oxfam e outras 62 agências publicaram no ano passado.
Enquanto a economia da Índia está se recuperando de uma recessão global, milhões de pobres na Índia rural têm dificuldades em sobreviver com uma inflação no preço da comida de 17 por cento.